Petroleiros entram em greve a partir da meia-noite

domingo, 13 de julho de 2008 17:23 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Os petroleiros vão iniciar à meia-noite deste domingo uma greve de cinco dias nos principais campos de petróleo da Bacia de Campos, disse um dirigente sindical.

A Bacia de Campos é responsável por mais de 80 por cento da produção de 1,8 milhão de barris de petróleo por dia no Brasil. A preocupação com a paralisação ajudou a empurrar para cima o preço mundial do petróleo na semana passada, levando-o a alcançar um novo recorde na sexta-feira, quando ultrapassou 147 dólares o barril.

"Está mantida para a meia-noite", disse o diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Genivaldo Silva, à Reuters. A entidade agrupa vários sindicatos.

"A direção da Petrobras fará tudo em seu poder para manter a produção e nós faremos tudo em nosso poder para cumprir nosso objetivo de interferir com a produção, controlá-la e interrompê-la", disse ele.

O sindicato de Campos está pressionando a Petrobras para que conte o dia de saída dos empregados da plataforma como um dia trabalhado.

Silva disse que os trabalhadores chegam a esperar até 10 horas para iniciar o trajeto de 40 minutos até a costa depois que encerram seu período de trabalho na plataforma.

Ele afirmou que os petroleiros vão permanecer em todas as 42 plataformas de Campos assim que a greve começar e permitirão que a produção prossiga em pequena escala para que depois ela possa ser retomada facilmente quando for encerrada a paralisação.

"A produção não pode ser interrompida. Você tem de reduzi-la senão você perde o poço de acesso", disse ele.

A federação realizará uma assembléia na terça-feira para discutir a possibilidade de uma greve nacional de cinco dias em todas as instalações da Petrobras, incluindo refinarias e terminais, para reivindicar uma fatia maior dos lucros da empresa para os trabalhadores.

Uma greve nacional de cinco dias realizada pelos trabalhadores da Petrobras em 2001 reduziu seriamente a produção e forçou o Brasil a importar mais petróleo. Nos últimos cinco anos, os sindicatos e a empresa resolveram suas pendências sem paralisações que afetassem a produção.

(Reportagem de Peter Murphy)