27 de Junho de 2008 / às 12:15 / em 9 anos

Urnas abrem no Zimbábue, mas comparecimento é fraco

Por Cris Chinaka

HARARE (Reuters) - Os zimbabuanos votavam em pequeno número no segundo turno das eleições presidenciais, realizado na sexta-feira e do qual participa apenas o atual dirigente do país, Robert Mugabe.

O líder do Zimbábue ignora as pressões internacionais e os apelos feitos em nome do adiamento de uma votação descrita pelos opositores como uma fraude.

Mugabe, no poder há 28 anos, é o único candidato depois de Morgan Tsvangirai, líder da oposição, ter se retirado da disputa seis dias atrás por causa de atos de violência e de intimidação ocorridos com o apoio de forças governamentais.

Tsvangirai e seu partido, o Movimento para a Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês), conclamaram os zimbabuanos a não votarem, mas disseram que os eleitores deveriam comparecer às urnas caso suas vidas corressem perigo.

"Independente do que venha a acontecer, não será reconhecido pelo mundo. Independente do que vocês sejam forçados a fazer, sabemos o que está em seus corações. Não arrisquem suas vidas. A vitória do povo pode ser adiada, mas não será negada", afirmou, em um comunicado.

O G8 --formado por EUA, França, Alemanha, Canadá, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia-- criticou o Zimbábue por seguir em frente com a eleição e os Estados Unidos disseram que buscarão impôr sanções ao país africano no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.

Mugabe votou ao lado da mulher em Highfield Township, nos arredores de Harare. Questionado sobre como se sentia, ele disse a jornalistas: "Muito bem, otimista, animado".

As urnas abriram pouco depois das 2h (horário de Brasília) e o comparecimento era fraco em vários locais de votação da capital do país, Harare, ao contrário do que ocorreu no pleito presidencial e parlamentar de março, quando havia filas desde as primeiras horas do dia. As urnas devem fechar às 14h (em Brasília).

Não há dúvida de que o comparecimento será bastante baixo", disse Marwick Khumalo, chefe dos monitores do Parlamento Pan-Africano.

Tsvangirai venceu a eleição de 29 de março, mas não obteve a quantidade necessária de votos para evitar um segundo turno.

O MDC diz que militantes do Zanu-PF, partido de Mugabe, obrigarão as pessoas a votar, especialmente nas zonas rurais, onde dirigente de idade avançada perdeu apoio no primeiro turno.

No país, as pessoas têm o dedo mindinho pintado de roxo a fim de mostrar que votaram.

No bairro de Greendale, um grande número de pessoas fazia fila para conseguir pão em um shopping center, mas apenas dez eleitores podiam ser vistos em um local de votação próximo.

"Eu preciso primeiro conseguir comida para então, talvez, votar. Eu ouvi dizer que poderia haver problemas para os que não votarem", afirmou Tito Kudya, um desempregado.

Mugabe, 84, viu seu país sofrer um colapso econômico, incluindo hiperinflação, desemprego de 80 por cento e falta de comida e combustíveis.

Um pãozinho custa hoje 6 bilhões de dólares zimbabuanos, ou 150 vezes mais do que na época do primeiro turno das eleições.

Um homem de meia-idade que esperava por um ônibus disse ser perigoso falar sobre política. "Sua língua pode custar os seus dentes," afirmou à Reuters, acrescentando que votaria.

"Espero que isso signifique o fim dos problemas que vimos recentemente," disse.

Reportagem adicional de MacDonald Dzirutwe e Nelson Banya em Harare, John Chalmers em Tóquio, Dan Wallis em Sharm el-Sheikh

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below