June 14, 2008 / 6:57 PM / 9 years ago

Cercado de tucanos, Kassab é oficializado candidato do DEM em SP

5 Min, DE LEITURA

Por Carmen Munari

SÃO PAULO, 14 de junho (Reuters) - Na presença do governador em exercício de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB), o prefeito Gilberto Kassab foi oficializado candidato à prefeitura da capital em convenção da legenda neste sábado. Kassab atacou adversários, em especial a gestão da ex-prefeita Marta Suplicy (PT), e afirmou que a aliança com o PSDB é "indestrutível."

"Nada destruirá a aliança que temos com o PSDB, ela é indestrutível porque ela é boa para a cidade de São Paulo," afirmou ao ler em discurso previamente preparado para a platéia de aliados reunida na Assembléia Legislativa.

O prefeito citou várias vezes o nome do governador José Serra (PSDB), que, em viagem a Washington desde quarta-feira, determinou que Goldman comparecesse à convenção do Democratas.

"Tenho muito orgulho de tê-los como aliados, tenho muito orgulho da minha bancada do PSDB, que tem estado ao nosso lado, orgulho do governador em exercício. Tenho orgulho de ser um liderado pelo governador Serra e da parceria com o governador em favor da cidade de São Paulo."

PSDB e DEM elegeram Serra prefeito e Kassab, vice, da capital em 2004. Em 2006, Kassab assumiu a prefeitura quando Serra disputou e venceu o governo do Estado. O governador manteve o apoio a Kassab e os tucanos ocupam atualmente cerca de 80 por cento da máquina da prefeitura. O PSDB, no entanto, rachou nesta eleição. Uma ala mantém apoio à aliança e à eleição de Kassab e outra conseguiu a indicação pelo partido do ex-governador Geraldo Alckmin.

Geraldo Kassab

Goldman, que defendeu a coligação, cometeu gafes em seu discurso ao trocar o nome de Kassab pelo de Alckmin. Disse ainda PFL ao invés de DEM, atual designação da sigla. Ele chegou a ser vaiado pela platéia formada por democratas.

"É uma aliança que está acima de qualquer interesse momentâneo. O governador Serra, em nome dele, venho trazer a saudação aos companheiros do PFL (DEM) e às suas lideranças, consolidando a candidatura de Geraldo Alckmin. Desculpe, Gilberto Kassab," disse Goldman, que em uma segunda vez pronunciou "Geraldo Kassab."

Alckmin deve enfrentar na convenção do PSDB marcada para dia 22 de junho uma proposta encabeçada pelo secretário municipal de Esportes, Walter Feldman, de manutenção do acordo com o DEM e apoio à candidatura de Kassab.

Na esperança de obter o apoio do PSDB, o vice na chapa de Kassab ficará em aberto até a convenção tucana. Se esta hipótese não se concretizar, o PMDB, principal aliado do prefeito do prefeito até agora, ocupará a vice, com Alda Marco Antonio. Os peemedebistas aprovam também neste sábado o acordo. O prefeito selou alianças ainda com o PV, que tem convenção marcada para este domingo, e com o PR que aprovou esta semana a adesão.

Assinados por uma "frente pela manutenção da aliança," broches e folhetos foram distribuídos na convenção com os dizeres "Democratas e PSDB unidos por uma São Paulo melhor."

Ataques

Ainda no discurso, o prefeito disse que tem trabalhado 15 horas por dia e também aos sábados, domingos e feriados e não poupou críticas à "herança" deixada por Marta Suplicy, que o antecedeu.

"Acreditar em São Paulo, não é deixar como herança uma fila de credores, isso não é crença, é inapetência e incompetência administrativa. Isso é relaxar com a coisa pública," disse.

Mencionou ainda grifes de roupas, em outra menção indireta à petista, conhecida por sua vaidade no trato do visual. "Dizem que apareço pouco. Tenho consciência de que o que tem que aparecer não é grife de marcas famosas de roupas mas a qualidade do serviço. Não podíamos ficar no botox, quando a herança que recebemos exigia intervenções."

Kassab, paulistano de 47 anos, disse ainda que entra na eleição "para ganhar, contra o ataque dos predadores".

Além de Goldman, Feldman e vereadores tucanos, Gilberto Natalini, estiveram na convenção o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia, o ex-presidente da sigla Jorge Bornhausen e o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM). O presidente estadual do PMDB, ex-governador Orestes Quércia também fez parte do palanque.

(Edição Cláudia Fontoura)

carmen.munari@reuters.com; 55 11 56447705

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