ANÁLISE-Derrota de Chávez frearia reeleições na América Latina

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007 17:59 BRST
 

Por Guido Nejamkis

BRASÍLIA (Reuters) - A vitória do "não" no referendo venezuelano sobre a reforma constitucional que estabeleceria a possibilidade de reeleição ilimitada do presidente Hugo Chávez pode servir para conter em alguns governantes ou partidos latino-americanos o ímpeto de prorrogar sua permanência no poder.

Segundo analistas, o histórico revés de Chávez no referendo de domingo pode sepultar os projetos "reeleitorais" que afloram aberta ou veladamente na Colômbia, no Equador, na Bolívia e, mais timidamente, no Brasil.

"A derrota de Chávez tem um impacto muito importante sobre o resto da América Latina, no sentido de criar uma barreira para tentativas de ampliar reeleições no continente", disse Eduardo Viola, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília.

"O triunfo do 'não' coloca um limite aos apetites 'reeleicionistas' na Colômbia, na Bolívia e em setores do Partido dos Trabalhadores no Brasil. Tende a evitar que se expandam propostas por mais reeleições", acrescentou.

O resultado de domingo foi a primeira derrota eleitoral da carreira de Chávez, ainda que por estreita margem. Além de permitir reeleições ilimitadas, a reforma também daria ao presidente o poder de restringir o direito à informação em momentos de emergência, entre outras propostas.

Segundo Viola, alguns setores na Colômbia e no Brasil "especulam" com a possibilidade de reformas constitucionais para permitir um terceiro mandato dos presidentes Álvaro Uribe e Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula nega reiteradamente sua intenção de voltar a se candidatar em 2010, hipótese que chama de "insensata".

Já Uribe, também muito popular entre o eleitorado, admitiu recentemente a possibilidade de buscar mais um mandato.   Continuação...

 
<p>A vit&oacute;ria do 'n&atilde;o' no referendo venezuelano sobre a reforma constitucional que estabeleceria a possibilidade de reelei&ccedil;&atilde;o ilimitada do presidente Hugo Ch&aacute;vez pode servir para conter o &iacute;mpeto de prorrogar sua perman&ecirc;ncia no poder. Foto em Caracas, 3 de dezembro. Photo by Francesco Spotorno</p>