29 de Outubro de 2007 / às 13:43 / 10 anos atrás

Argentina acorda nesta 2a com primeira mulher eleita presidente

Por César Illiano

BUENOS AIRES (Reuters) - A Argentina amanheceu na segunda-feira com uma presidente eleita nas urnas pela primeira vez em sua história, logo depois de a primeira-dama do país, Cristina Fernández de Kirchner, ter vencido facilmente o pleito de domingo.

Como previam as pesquisas, a senadora e advogada de 54 anos de idade sucederá ao marido, Néstor Kirchner, na direção do país até 2011, sob a promessa de manter as políticas de incentivo ao crescimento responsáveis por permitir a recuperação econômica da Argentina após a profunda crise de 2001-2002.

Cristina comemorou a vitória no domingo à noite, quando os primeiros números oficiais já lhe davam 43 por cento dos votos.

"Ganhamos com folga", foram as primeiras palavras da senadora, em seu comitê de campanha, diante de centenas de simpatizantes e sob uma chuva de papéis na cor azul e branco.

A eleição terminou também com um resultado melhor que o esperado para a candidata de centro-esquerda Elisa Carrió, que na madrugada de segunda-feira reconheceu a vitória da primeira-dama.

"Acreditamos que a tendência (nas apurações) confirma como presidente da República da Argentina Cristina Kirchner, e reconhecemos a vitória dela e a congratulamos por essa vitória", afirmou a candidata em uma entrevista coletiva.

Segundo as cifras oficiais divulgadas pela última vez, às 9h20 (horário de Brasília) de segunda-feira, depois de apuradas 95,61 por cento das urnas, Cristina obtinha 44,79 por cento dos votos, contra 23,02 para Carrió.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ligou na noite de domingo para cumprimentar a primeira-dama pela vitória eleitoral, segundo uma fonte do governo brasileiro. Também no próprio domingo o presidente venezuelano, Hugo Chávez, conversou com Cristina e disse que o triunfo dela é "o triunfo das mulheres da América Latina, porque as mulheres vão salvar o mundo".

SUCESSÃO INÉDITA

A vitória da senadora fará com que a América Latina testemunhe pela primeira vez uma passagem da faixa presidencial entre marido e mulher eleitos democraticamente.

Cristina prometeu manter as políticas que iniciaram no país o ciclo de crescimento verificado nos quatro anos de governo do marido.

Em seu primeiro discurso como presidente eleita, a senadora adotou um tom conciliador e garantiu que "é necessário aprofundar as mudanças e, para isso, é necessário reunir nessa tarefa a maior quantidade possível de argentinos e argentinas".

Mas a primeira-dama deverá enfrentar vários obstáculos no início de seu governo, entre os quais o crescimento da inflação, que vem castigando duramente o bolso dos argentinos, a falta de investimentos na infra-estrutura, os escândalos de corrupção e os altos índices de criminalidade.

Com reportagem de Rodrigo Martínez e Guido Nejamkis em Brasília

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