Irã endurece posição na véspera de negociação nuclear

segunda-feira, 22 de outubro de 2007 14:39 BRST
 

Por Edmund Blair

TEERÃ (Reuters) - O Irã não vai abandonar seu direito à tecnologia nuclear, mesmo sob a ameaça de sofrer mais sanções, disse o governo iraniano à França numa carta publicada na segunda-feira, véspera de negociações para tentar acabar com o impasse atômico.

Países ocidentais acusam o Irã de tentar obter bombas atômicas sob a fachada de um programa nuclear civil. O Irã diz que só quer gerar energia elétrica com fins pacíficos.

Os Estados Unidos não descartaram uma ação militar em caso de fracasso diplomático, e o presidente George W. Bush já advertiu que um Irã dotado de armas nucleares pode levar à Terceira Guerra Mundial.

Mas o chefe da agência nuclear da ONU, a AIEA, disse numa entrevista publicada na segunda-feira que o Irã ainda precisaria de três a oito anos para construir uma bomba nuclear, o que garante que haja tempo para negociar.

A reunião de terça-feira em Roma deveria ser entre o chefe de política externa da União Européia, Javier Solana, e Ali Larijani, o negociador-chefe iraniano, cuja demissão foi anunciada no sábado. Larijani vai participar da reunião acompanhado de seu substituto.

O novo negociador-chefe, Saeed Jalili, é bem próximo ao presidente Mahmoud Ahmadinejad. Especialistas acham que sua nomeação indica uma postura menos concessiva por parte do Irã.

"Independentemente de quem seja o negociador, o Irã precisa cumprir suas obrigações para com a comunidade internacional e suspender suas atividades de enriquecimento e reprocessamento de urânio", disse Gordon Johndroe, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca.

A França, que endureceu sua retórica contra o Irã desde a posse do presidente Nicolas Sarkozy, em maio, também insistiu que o país tem de atender às exigências da ONU.   Continuação...