Lula incentiva África a aderir à "revolução do biocombustível"

terça-feira, 16 de outubro de 2007 10:54 BRST
 

Por Christian Tsoumou

BRAZZAVILLE, República do Congo (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conclamou a África a participar da "revolução do biocombustível", o que segundo ele contribuiria com a redução da pobreza no continente e com a luta contra o aquecimento global.

Em visita à África, Lula disse que a experiência brasileira com os biocombustíveis demonstra os benefícios econômicos e ambientais da produção em massa do etanol e do biodiesel.

"O Brasil convida Burkina Faso e toda a África a aderirem à revolução do biocombustível", disse Lula em Ouagadougou, capital de Burkina, na noite de segunda-feira, antes de embarcar para a República do Congo.

Ele também vai visitar África do Sul e Angola.

"Ao cultivar lavouras na África, América Latina e Ásia para produzir etanol e biodiesel em grande escala, poderemos democratizar o acesso à energia sustentável e ao mesmo tempo combater o impacto do aquecimento global, que atinge de forma desproporcionalmente dura os países mais pobres do mundo", afirmou Lula em discurso.

No Brasil, toda gasolina vendida contém álcool, três quartos dos carros produzidos são bicombustíveis (gasolina e etanol), e a Petrobras prevê que por volta de 2020 o consumo de álcool combustível no país supere o de gasolina. O Brasil já exporta etanol para os EUA, o Caribe e a União Européia, entre outros.

A África cultiva várias plantas que podem ser usadas na produção de etanol, como cana, beterraba, milho, sorgo e mandioca, além do amendoim, cujo óleo pode ser usado em motores a diesel.

O conceito de biocombustível é relativamente novo em grande parte da África, mas o Mali já extrai da jatropha (um arbusto selvagem) o combustível usado em geradores elétricos e bombas d'água em áreas rurais, enquanto a estatal de açúcar do Senegal planeja iniciar a produção de etanol.   Continuação...