15 de Novembro de 2007 / às 19:05 / 10 anos atrás

Irã coopera, mas amplia atividade nuclear, diz AIEA

Por Mark Heinrich

VIENA (Reuters) - O Irã está mais transparente em suas atividades nucleares, mas ainda restam muitas questões por responder, e, além disso, o país ampliou significativamente o trabalho de enriquecimento de urânio, segundo um relatório entregue na quinta-feira à ONU.

Os EUA e seus aliados tentam impor uma terceira rodada de sanções da ONU ao Irã, por suspeitar que o país esteja desenvolvendo armas nucleares. Teerã garante que seu programa nuclear é voltado apenas para a geração de eletricidade com fins civis.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU) disse ainda ser incapaz de garantir que o Irã não tem um programa militar secreto, paralelamente ao oficial, para enriquecer urânio, já que Teerã autoriza os inspetores estrangeiros a visitarem apenas as suas poucas instalações nucleares declaradas.

"Sua cooperação tem sido reativa ao invés de pró-ativa", disse o relatório da AIEA. "A cooperação ativa do Irã e a plena transparência são indispensáveis para a plena e imediata implementação do plano de trabalho", afirmou o relatório, referindo-se ao cronograma aprovado neste ano, pelo qual o Irã se compromete a responder gradualmente às questões remanescentes sobre seu programa atômico até o fim de dezembro.

Os Estados Unidos disseram que o relatório prova que o Irã continua desafiando as ordens da ONU para suspender o enriquecimento e que só dá "respostas parciais".

Já o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou que o relatório demonstra que o Irã vem dizendo a verdade e que tem o direito de resistir à pressão ocidental para abandonar o programa atômico.

Segundo a AIEA, o Irã ampliou em um terço desde agosto seu parque de centrífugas nucleares, contando agora com 3.000 dessas máquinas, número suficiente para iniciar o enriquecimento de urânio em escala industrial.

Mas uma fonte da ONU familiarizada com o relatório disse que o Irã utiliza essas centrífugas com baixíssima capacidade. Analistas dizem que, mesmo com a carga máxima quase continuamente, essas 3.000 centrífugas levariam 18 meses para produzir material suficiente para uma bomba atômica. Centrífugas servem também para produzir combustível de usinas nucleares.

O relatório pode conter elementos para um consenso entre as potências ocidentais, que defendem novas sanções, e China e Rússia, que pedem mais tempo ao Irã. No dia 28 de setembro, as potências mundiais decidiram impor novas sanções ao Irã caso o relatório da AIEA e um outro ainda a ser divulgado, da União Européia, não apontassem para um "resultado positivo."

PRAZOS CUMPRIDOS

Fontes da ONU, familiarizadas com a investigação no Irã, dizem que o país está cumprindo os prazos e que cresceram suas chances de sucesso. Eles argumentam que nunca foi realista cogitar que o Irã conseguisse afastar totalmente as suspeitas transcorridos apenas três meses do plano de ação.

O relatório assinado pelo diretor da AIEA, Mohamed El Baradei, disse que, após anos de evasões, o Irã finalmente ofereceu documentos e acesso a participantes do desenvolvimento secreto das centrífugas nucleares na década de 1980 e 90.

"A agência pôde concluir que as respostas fornecidas sobre o passado dos programas de centrífugas P-1 e P-2 são consistentes com suas conclusões", disse o relatório. Porém, diz o texto, é preciso fazer mais verificações sobre se as declarações estão completas.

A AIEA continuou impedida de visitar as oficinas que produzem as avançadas centrífugas P-2, substitutas da ultrapassada P-1.

O novo relatório trimestral de El Baradei sobre o Irã será examinado entre os dias 22 e 23 de novembro pelos 35 países da direção da AIEA.

Na quarta-feira, Gregory Schulte, representante dos EUA na AIEA, disse que a direção da agência e o Conselho de Segurança não vão se contentar em ver nesse relatório "um pouquinho mais de informação aqui, um pouquinho mais ali."

Já China e Rússia, que têm poder de veto na ONU, poderão argumentar que o Irã merece mais tempo para concluir o processo de esclarecimento, segundo fontes diplomáticas.

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