Renúncia de Fidel lembra investidores do potencial de Cuba

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008 18:48 BRT
 

Por Daniel Trotta

NOVA YORK (Reuters) - A renúncia de Fidel Castro anunciada na terça-feira lembrou os investidores que Cuba pode se tornar um grande foco de negócios caso sejam normalizadas as relações com os Estados Unidos.

As possibilidades incluem empresas que já atuam na ilha, como o grupo hoteleiro Sol Meliá e a empresa de tabaco Altadis, ambos da Espanha, até empresas norte-americanas que espera reivindicar patrimônio confiscado pelo regime comunista depois da revolução de 1959.

Quem gosta de assumir riscos pode comprar títulos em moratória do governo cubano, na esperança de que um dia eles sejam pagos. Ou então pode investir em empresas que têm a ganhar com o fim do embargo norte-americano à ilha.

As ações da canadense Sherritt International, maior investidor estrangeiro em Cuba, com operações nos setores de níquel, petróleo e gás, subiram até 6 por cento na terça-feira, sendo cotadas a 15,57 dólares canadenses.

Uma empresa que já aposta bastante na Cuba pós-embargo, a Herzfeld Caribbean Basin Fund, viu suas ações subirem mais de 20 por cento na terça-feira, quando chegaram a ser cotadas a 9,50 dólares.

Thomas Herzfeld, diretor do Caribbean Basin Fund, que investe em empresas que podem lucrar com a normalização das relações, disse que duas operadoras de cruzeiros marítimos dos EUA, a Royal Caribbean e a Carnival, atualmente proibidas de atracar em Cuba, poderão dobrar suas atividades no Caribe quando terminar o embargo norte-americano.

Em geral, porém, a notícia sobre o fim da era Fidel não afetou os mercados, devido à expectativa de que Raúl Castro, que já governa interinamente desde julho de 2006, seja efetivado como presidente.

"O fato de hoje já foi devidamente precificado pelos mercados financeiros. É uma manchete política notável, mas no curto prazo é um não-fato financeiro", disse Francisco Diez, diretor para mercados emergentes da RBC Capital Markets, de Toronto.   Continuação...