19 de Janeiro de 2008 / às 12:09 / em 10 anos

Iraque monta forte esquema de segurança para ritual xiita

<p>As for&ccedil;as iraquianas montaram um forte esquema de seguran&ccedil;a neste s&aacute;bado em Kerbala, onde a reuni&atilde;o de 2,5 milh&otilde;es de peregrinos marca o cl&iacute;max de um importante ritual xiita, um dia ap&oacute;s atiradores atacarem fi&eacute;is e a pol&iacute;cia em outras cidades do sul do pa&iacute;s. Photo by Ceerwan Aziz</p>

Por Sami al-Jumaili

KERBALA, Iraque (Reuters) - As forças iraquianas montaram um forte esquema de segurança neste sábado em Kerbala, onde a reunião de 2,5 milhões de peregrinos marca o clímax de um importante ritual xiita, um dia após atiradores atacarem fiéis e a polícia em outras cidades do sul do país.

A polícia afirmou que as cidades de Basra e Nassiriya estão calmas após os choques entre soldados e atiradores de um culto chamado “Soldados do Paraíso” na sexta-feira. Segundo a polícia, 57 pessoas morreram e mais de cem ficaram feridas no confronto.

Em Kirkuk, norte do país, uma bomba escondida numa lata de lixo matou dois peregrinos xiitas que se dirigiam à mesquita local para o final da cerimônia da Ashura, que tem duração de 10 dias, disse a polícia local.

Em Kerbala, os peregrinos lotaram ruas e vielas nas cerimônias de luto pelo assassinato, há mais de 13 séculos, do Iman Hussein, o neto do profeta Mohammad, próximo à cidade sagrada.

Entre os peregrinos há centenas de homens vestidos de branco, que marcham pelas ruas golpeando suas cabeças com espadas para exibir seu sofrimento pela morte de Imam Hussein.

O sangue escorre em suas vestes. Outros batem no peito ao som de tambores e cânticos religiosos. Médicos munidos de kits de primeiros socorros acompanham a multidão, prontos para estancar os ferimentos. Dezenas de ambulâncias estão de prontidão.

Autoridades afirmaram que 25 mil policiais e soldados iraquianos foram enviados a Kerbala, que fica 110 km ao sul de Bagdá.

“A segurança em Kerbala está sob controle,” disse o chefe da polícia de Kerbala, o brigadeiro-general Raad Shaker, à Reuters.

Helicópteros iraquianos sobrevoam a cidade, onde está proibida a circulação de qualquer veículo.

Os peregrinos são revistados até dez vezes antes de conseguirem chegar ao foco das cerimônias, os templos Imam Hussein e Imam Abbas, no coração da Cidade Velha em Kerbala.

A multidão inclui fiéis vestidos de negro que se flagelam no pátio que liga as duas mesquitas.

“Estou muito contente com as medidas de segurança, mas temo que algo possa acontecer a qualquer instante”, diz Jaber Yusif, 43, que conta ter vindo da cidade vizinha de Hilla.

CISMA

O governador da província disse que 2,5 milhões de pessoas estão em Kerbala para a Ashura, um dos mais importantes eventos sagrados do calendário religioso muçulmano xiita. Iman Hussein foi morto no ano 680 no conflito que provocou o cisma entre os muçulmanos xiitas e sunitas.

As forças de segurança iraquianas montaram grandes operações em todo o sul do Iraque, de maioria xiita, para proteger os peregrinos, mas ocorreram choques em Basra e Nassiriya na sexta-feira.

Um comunicado do gabinete do primeiro-ministro disse que vários “hereges” foram detido após atacar as procissões da Ashura em Basra e tentar tomar um prédio municipal.

O culto “Soldados do Paraíso” já foi liderado por um homem que alegava ser o mahdi, uma figura islâmica semelhante ao messias.

Um homem que disse pertencer ao movimento afirmou à Reuters em Basra que os atiradores decidiram atacar as forças de segurança no sábado por causa da perseguição que, segundo ele, o culto sofre. Ele disse acreditar que o mahdi apareceria na sexta-feira.

O culto “Soldados do Paraíso” travou uma grande batalha com as forças de segurança do Iraque e dos EUA há um ano perto da cidade sagrada xiita da Najaf. O governo disse na época que o culto planejava matar os mais importantes clérigos xiitas no clímax do Ashura.

A Ashura tem sido alvo dos militantes sunitas da al Qaeda, que consideram os xiitas, maioria no Iraque, mas minoria no mundo muçulmano, como hereges.

Atentados suicidas a bomba e outros ataques nas multidões reunidas para a Ashura em Kerbala e Bagdá mataram 171 pessoas em 2004.

O ritual Ashura foi severamente reprimido sob o governo de Saddam Hussein, um árabe sunita. Os xiitas dominam a política no Iraque desde a derrubada de Saddam em 2003, na invasão liderada pelos EUA.

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