EUA chamam para consultas seu embaixador na Bolívia

segunda-feira, 16 de junho de 2008 20:45 BRT
 

WASHINGTON (Reuters) - Os Estados Unidos pediram que seu embaixador na Bolívia regressasse para casa depois de violentos protestos há uma semana na embaixada norte-americana em La Paz e advertiram o governo boliviano sobre a obrigação de proteger os diplomatas, disse o Departamento de Estado na segunda-feira.

O embaixador Philip S. Goldberg "voltará a Washington para consultas sobre a segurança da embaixada" depois das manifestações de 9 de junho, afirmou em um comunicado Gonzalo Gallegos, porta-voz do Departamento de Estado.

Armados com pedras, milhares de simpatizantes do presidente da Bolívia, Evo Morales, se concentraram às portas da embaixada, exigindo que os EUA extraditassem dois políticos bolivianos de direita.

Centenas de policiais antimotim esforçaram-se para manter os manifestantes longe da construção, semelhante a uma fortaleza, e acabaram disparando bombas de gás lacrimogêneo para dispersá-los.

Segundo Gallegos, os EUA viam com bons olhos os esforços da polícia boliviana, mas estavam preocupados com as declarações dadas por alguns membros do governo, que colocavam em dúvida o comprometimento da Bolívia com suas obrigações internacionais de proteger os diplomatas e as representações estrangeiras.

"Esperamos que o governo boliviano continue a cumprir as obrigações assumidas com a Convenção de Viena sobre as Relações Diplomáticas, de 1961", disse Gallegos em um comunicado.

"O fracasso em cumprir essas responsabilidades colocaria em perigo tanto a vida dos cidadãos norte-americanos quanto a vida das centenas de bolivianos que trabalham na embaixada ou que utilizam diariamente o consulado ou outras instalações diplomáticas."

Os manifestantes acusam o ex-ministro da Defesa Carlos Sánchez Berzain e o ex-presidente Gonzalo Sánchez de Lozada de terem ordenado a repressão militar contra protestos antigoverno em outubro de 2003, quando 60 pessoas foram mortas e centenas ficaram feridas.

Sánchez de Lozada renunciou à Presidência pouco depois daquele episódio, e os dois políticos fugiram para os EUA.

Sánchez Berzain mora em Miami. Os protestos de segunda-feira passada começaram quando ele disse a uma rádio boliviana que havia recebido asilo político dos norte-americanos.

(Reportagem de Susan Cornwell)