23 de Outubro de 2007 / às 16:02 / 10 anos atrás

Tensão com Turquia limita opções para iraquianos em fuga

Por Peter Apps

LONDRES (Reuters) - Um eventual ataque da Turquia contra o norte do Iraque poderia aumentar ainda mais o número de pessoas que fogem de suas casas e cortar uma das poucas rotas restantes para os refugiados que deixam o território iraquiano, afirmaram grupos de ajuda humanitária.

Depois de os soldados turcos terem sofrido uma série de ataques, a Turquia ameaçou realizar uma investida militar contra o norte iraquiano se as forças do Iraque e dos EUA não detiverem a guerrilha separatista curda.

Grupos de ajuda humanitária afirmam que centenas de pessoas fugiram dos vilarejos da fronteira depois dos bombardeios da semana passada. O norte do Iraque já abriga 800 mil pessoas expulsas de suas casas, segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

"Se ocorrer uma ação militar, então um dos poucos locais seguros para os iraquianos pode deixar de existir", disse Astrid van Genderen Stort, porta-voz do Acnur.

Apesar de atentados ocasionais, o Curdistão iraquiano viu-se poupado do grosso da violência sectária que tomou conta de outras partes do país.

Cerca de 160 mil iraquianos xiitas e sunitas já buscaram refúgio entre os curdos, levando as autoridades da região a impor restrições quanto à chegada de mais gente.

Qualquer novo combate no norte pode empurrar os refugiados de outras partes do Iraque e os curdos para as áreas mais violentas do sul.

"Os ataques turcos criariam, potencialmente, mais deslocamentos", disse à Reuters Dana Graber Ladek, uma especialista da Organização Mundial de Imigração (IMO).

"Pretendemos criar bolsões com material de emergência para o caso de haver deslocamentos. Segundo nossas informações, as autoridades curdas não estão se preparando para a montagem de campos de refugiados. Mas colocaram seus hospitais em alerta."

Os grupos de ajuda afirmam que cerca de 4,2 milhões de iraquianos abandonaram suas casas desde a invasão liderada pelos EUA, fazendo dessa uma das maiores crises de refugiados do mundo e também uma das crises que mais rapidamente cresce.

Cerca de metade deles continua dentro do Iraque enquanto metade fugiu para outros países, especialmente a Jordânia e a Síria.

Os dois países já restringiram a concessão de vistos e passaram a dificultar a entrada de iraquianos. A Turquia tampouco deseja receber os refugiados do Iraque, mas alguns deles atravessam a mesma fronteira porosa ao longo da qual atuam os rebeldes curdos.

Poucos, no entanto, registram-se no território turco, cruzando-o para chegar a países mais receptivos, como a Suécia, que contam com sistemas mais generosos de bem-estar social e com leis de imigração mais permissivas.

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