Indefinição ainda prevalece na sessão de votação da CPMF

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007 19:25 BRST
 

Por Renata de Freitas

BRASÍLIA, 12 de dezembro (Reuters) - A sessão de votação em primeiro turno da proposta de emenda constitucional (PEC) que prorroga a CPMF até 2011 teve início às 17h50 sem que o governo pudesse respirar tranquilo de que contava com os 49 votos necessários para ter a medida aprovada.

Enquanto o líder do PSB no Senado, Renato Casagrande (ES), que integra a base governista, admitia a jornalistas no plenário que ainda não contabilizava votos para a vitória, do lado de fora, o líder do PSDB, Artur Virgílio (AM), argumentava que só vai liderar um partido "que não vergue a espinha dorsal para ninguém".

A tarde foi de muitas hipóteses sobre os termos do que seria a "proposta formal" do governo para convencer os tucanos. Ao final do dia, o itens elencados pelos senadores eram a prorrogação da CPMF por apenas um ano, a apresentação de reforma tributária em 2008 prevendo o fim do tributo e mais 36 bilhões de reais para a área da saúde ao longo de quatro anos.

Para Artur Virgílio, não há mais tempo para discutir essa proposta que, segundo ele, jamais foi oficial. A "formalização" da proposta, na argumentação do líder tucano, é necessária porque o governo "não cumpre suas promessas".

O senador do PSDB também defendeu que o partido trabalhe com perspectiva de longo prazo. Ele reagia à pressão dos governadores Aécio Neves (MG) e José Serra (SP) sobre a bancada do Senado.

"Os 13 votos do PSDB estão garantidos contra a CPMF. Pessoas pensam assim, pessoas pensam assado, mas a unidade do partido prevaleceu", declarou.

O senador tucano Marconi Perillo (GO) reconheceu que as ofertas do governo federal foram repudiadas pelo PSDB em várias reuniões. Disse que o partido não votará rachado. Reforçou idéia de Virgílio de que a proposta do Planalto precisaria ser formalizada a tempo de ser negociada, o que nesta quarta-feira, isso já parecia impossível.

Na base governista, a descontração de Casagrande contrastava com a agitação do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), que atendia freneticamente ao telefone ecirculava pelo plenário. Ele comandou as negociações com o PSDB.   Continuação...