Cristina Kirchner priorizará relações com Brasil e Venezuela

domingo, 25 de novembro de 2007 16:25 BRST
 

BUENOS AIRES (Reuters) - A 15 dias de assumir o poder, a presidente eleita da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, disse que seu governo vai priorizar as relações com a América Latina, em especial com o Brasil e a Venezuela, vitais para resolver a equação energética e alimentar regional.

Em entrevista publicada no domingo pelo jornal Página 12, Fernández também indicou que os problemas com o Uruguai deverão ser conduzidos com serenidade, à espera de que o Tribunal Internacional de Haia resolva a disputa ambiental sobre uma usina de celulose no país vizinho.

A primeira-dama Argentina disse também esperar que o Brasil e o Paraguai dêem o sinal verde para o ingresso da Venezuela no Mercosul --integrado também por Argentina e Uruguai--, a fim de consolidar o posicionamento estratégico do bloco a longo prazo.

"A entrada da Venezuela é importante, ainda mais agora, que o Brasil encontrou petróleo. Está a sete mil metros de profundidade e, para ser rentável, o barril tem de estar a mais de 100 dólares", disse ela a respeito da descoberta de um campo de petróleo no Brasil.

"No mundo que está chegando, as questões energética e dos alimentos são as que vão determinar as direções mais fortes e, neste sentido, temos grandes oportunidades", acrescentou, em entrevista em sua casa na Patagônia.

Cristina descartou a teoria de que sua aproximação ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, a quem prestou sua primeira visita oficial, implique em um distanciamento do presidente venezuelano, Hugo Chávez, que apoiou a Argentina financeira e energeticamente durante recentes crises.

"Por que a aproximação com o Brasil deveria implicar o afastamento de Chávez, ou minha proximidade com Chávez um distanciamento do Brasil?", perguntou.

Consultada sobre o incidente agora célebre em que o rei Juan Carlos da Espanha, outro aliado político e comercial da Argentina, perguntou por que Chávez "não se cala" durante uma reunião de cúpula ibero-americana, ela afirmou: "Teria sido melhor se não houvesse acontecido".

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