Filipina acusa ex-embaixador na ONU de escravizá-la

quinta-feira, 10 de julho de 2008 07:01 BRT
 

Por Christine Kearney

NOVA YORK, 10 de julho (Reuters) - Uma imigrante filipina afirmou na quarta-feira um ex-embaixador de seu país na ONU e a família dele a escravizaram como empregada doméstica e submeteram a abusos, o que a teria quase levado ao suicídio.

Marichu Suarez Baoanan disse que a família de Lauro Baja, que foi embaixador filipino na ONU entre 2003 e 2006, não a deixava sair do apartamento onde viviam, forçando-a a trabalhar até 18 horas por dia, entre janeiro e abril de 2006.

"Eu não tinha esperança de escapar", disse ela em entrevista coletiva. "Pensei em cometer suicídio, porque estava deprimida demais."

Baoanan, uma enfermeira de 39 anos, mudou-se de Manila para Nova York na esperança de juntar dinheiro para a família. Segundo processo aberto em junho num tribunal federal dos EUA, ela pagou 5.000 dólares a Baja e a uma agência de viagens mantida pela mulher dele, que teria lhe prometido um emprego como enfermeira.

Mas ela acabou trabalhando em tempo integral como empregada para a família Baja, recebendo apenas cem dólares por três meses de trabalho - que incluía cozinhar, lavar roupas e limpar a casa de quatro andares do diplomata em Manhattan, segundo ela.

O casal Lauro e Norma Baja e a filha deles, Elizabeth, aparecem como réus no processo, movido pelo Fundo Asiático-Americano de Defesa Jurídica e Educação.

Salvador Tuy, advogado de Bajas, negou as acusações, dizendo que elas não configuravam exemplos reais de abusos.