7 de Outubro de 2008 / às 19:17 / 9 anos atrás

Lula diz que PETROBRAS pode deixar o Equador

ANGRA DOS REIS, 7 de outubro (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira que a Petrobras (PETR4.SA) poderá deixar o Equador se não houver um acordo entre a empresa e o governo do país sobre o modelo de atuação da companhia.

O presidente do Equador, Rafael Correa, que acabou de conseguir poderes suplementares com a aprovação de uma nova Constituição, tem procurado fortalecer o domínio público das áreas e estruturas de exploração de hidrocarbonetos.

Correa ameaçou no sábado nacionalizar companhias petrolíferas privadas, expulsando-as, caso não aumentem a produção nas áreas concessionadas.

Ele também ameaçou a Petrobras com expulsão, caso a empresa brasileira demore a passar para o Estado o bloco 31, localizado nas imediações do Parque Nacional Yasuní.

“Chegamos a um bom acordo e estão demorando. Se demoram muito, nacionalizo e saem do país”, disse Correa no sábado.

Questionado sobre o problema durante evento em Angra para inauguração de uma plataforma da Petrobras, Lula disse que a questão era simples.

“Se tiver acordo, ótimo. Se não tiver acordo, a Petrobras vai procurar outro caminho e o Equador vai encontrar outros parceiros”, afirmou.

Desde 1997, a Petrobras já investiu 430 milhões de dólares no Equador, e a previsão da empresa, segundo informação de seu site, é de que investiria mais 300 milhões de dólares nos próximos anos.

Anteriormente, Lula havia afirmado que confiava em uma solução para eventuais divergências entre o Equador e a estatal brasileira.

“O Equador é um país que mantém uma relação extraordinária com o Brasil, e também uma relação histórica. Se acontecer um problema entre uma empresa brasileira e um país vizinho, nós vamos encontrar uma solução”, disse ele em 24 de setembro, durante conversa com jornalistas em Nova York.

GABRIELLI AINDA CONFIA EM ACORDO

Para o presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, a Petrobras já tem um acordo “praticamente concluído” com o Equador, mas não admite se tornar uma prestadora de serviços naquele país.

“Estamos negociando com o governo do Equador. Não me consta que na mesa de negociações existam grandes problemas”, afirmou Gabrielli, após cerimônia de batismo da plataforma P-51, no estaleiro Brás-Fels, em Angra dos Reis.

Segundo Gabrielli, as negociações estão em pleno andamento entre a Petrobras, governo do Equador e agências reguladoras locais e não têm prazo para acabar.

Ele explicou que a empresa discute as diferenças de interpretação do que fazer com os blocos 18 e 31, adquiridos pela Petrobras no Equador.

“Nós já temos um acordo praticamente concluído e temos que resolver a situação do Oleoduto de Crudos Pesados (OCP) no norte do Equador”, explicou sem dar detalhes.

O OCP transporta óleo da bacia do Oriente equatoriano até o Pacífico, e entrou em operação em 2004.

Ele evitou comentar declarações que têm sido feitas pelo presidente do Equador, Rafael Correa.

“As declarações me parecem mais de caráter político interno do Equador e não vou comentar”, disse Gabrielli.

Por Denise Luna; edição de Roberto Samora

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