20 de Junho de 2008 / às 19:18 / 9 anos atrás

Previ diz não ver urgência em novas aquisições pela VALE

Por Denise Luna

COSTA DO SAUÍPE, Bahia, 20 de junho (Reuters) - O principal acionista da Vale (VALE5.SA), o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, Previ, não vê urgência em uma nova aquisição pela mineradora para fazer frente a um eventual crescimento de suas concorrentes no setor.

Para o presidente da Previ, Sérgio Rosa, os investimentos no crescimento orgânico da companhia vão equivaler à criação de uma nova empresa nos próximos anos, o que estaria levando às concorrentes da empresa, como BHP e Rio Tinto, a uma corrida pelo ganho de escala.

“Nenhuma dessas (mineradoras) grandes têm um portfólio tão grande como o da Vale. Elas estão tentando antecipar o crescimento da Vale, porque ela já tem uma empresa de 60 bilhões de dólares para entrar nos próximos cinco anos”, disse Rosa a jornalistas, ao ser questionado se a Vale não deveria eleger aquisições como prioridade para garantir a sua competitividade.

O valor corresponde ao plano de investimentos da empresa de 2008 a 2012, inicialmente estimado em 59 bilhões de dólares.

Na quinta-feira, o presidente da Vale, Roger Agnelli, afirmou que a captação de até 15 bilhões de dólares anunciada na semana passada não teria como objetivo principal a compra de ativos, apesar de essa possibilidade ter sido incluída entre os motivos da operação em comunicado que a Vale enviou ao mercado na semana passada.

Agnelli disse que a captação vai dotar a Vale de boa flexibilidade financeira para seguir com o agressivo plano de investimentos, que segundo ele pode ultrapassar os 59 bilhões de dólares devido ao aumento dos custos no setor. Afirmou ainda, no entanto, que a empresa continua avaliando oportunidades. [ID:nN19361953]

Na última semana o mercado financeiro especulou sobre prováveis aquisições da mineradora, incluindo possíveis alvos como Freeport, Alcan e Anglo American.

Rosa explicou que a compra de um ativo maduro como desssas empresas hoje custa muito mais do que a implantação de novos projetos.

“A implantação de novos projetos dá um retorno muito maior. Você paga muito mais por uma empresa madura”, informou.

Ele não descartou, no entanto, que a mineradora “aproveite oportunidades de mercado, mas sem a pressa de buscar aquisições como as outras têm”.

BENCHMARK

A manutenção da posição da Vale como maior produtora de minério de ferro no mundo, na avaliação de Rosa, garante também que a mineradora continuará ditando os ajustes da commodity no mundo, ao contrário do que desejam as mineradoras australianas, que ainda não fecharam o reajuste para 2008. A Vale definiu os reajustes nesse ano em 65 e 71 por cento, dependendo da origem do produto.

“A Vale tem um lugar reconhecido por toda a indústria siderúrgica. Ela é a que mais se compromete com seus clientes no longo prazo, de alguma maneira elas (siderúrgicas) vão preservar esse ‘benchmark’” disse o executivo.

Consciente que o crescimento da Vale, apesar de favorável, compromete ainda mais o desenquadramento da carteira de renda variável da Previ, que só pode ter 20 por cento do capital de cada empresa e até 50 por cento do total do patrimônio em ações, Rosa explicou que não há porque vender parte da sua participação na Vale agora, e por isso vai participar do aumento de capital da companhia, previsto para a primeira quinzena de julho, para não ser diluído.

“Se a gente se beneficia disso, vamos aproveitar no limite do possível essa valorização”, concluiu.

Reportagem de Denise Luna; Edição de Marcelo Teixeira

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