Uruguai dá luz verde para Metsa-Botnia produzir celulose

sexta-feira, 9 de novembro de 2007 14:09 BRST
 

MONTEVIDÉU/HELSINQUE (Reuters) - O governo do Uruguai concedeu permissão à empresa finlandesa Metsa-Botnia, da Finlândia, para que comece a produzir celulose na fábrica de 1 bilhão de dólares construída no país. A unidade é alvo de críticas da Argentina, que teme uma possível poluição do rio que fica na fronteira entre as duas nações.

O sinal verdade surgiu na quinta-feira, depois de ter fracassado um esforço de última hora para resolver a antiga desavença diplomática entre os uruguaios e argentinos. Esse esforço aconteceu em meio à 17a Cúpula Ibero-Americana, realizada em Santiago (Chile).

A Argentina processou o Uruguai junto à Corte Internacional de Justiça de Haia acusando o país vizinho de não prover informações suficientes sobre o projeto, descumprindo um tratado referente ao rio Uruguai, que divide os dois países.

A fábrica da Metsa-Botnia, localizada na cidade uruguaia de Fray Bentos, às margens do rio, é um dos maiores investimentos privados da história do Uruguai e tem previsão de produzir 1 milhão de toneladas de celulose anualmente.

Ao longo dos últimos dois anos, ambientalistas da Argentina realizaram vários protestos contra a obra, argumentando que a fábrica poluirá as águas do rio Uruguai. A Botnia insiste que a poluição ficará dentro dos limites aceitos pela comunidade internacional.

"Estamos nos preparando para o início das operações", afirmou a porta-voz da Metsa-Botnia no Uruguai, Florencia Herrera, a uma rádio do país, na sexta-feira. "Não temos uma data precisa, mas acreditamos que começaremos a produzir celulose dentro de uma semana ou um pouco mais do que isso."

A decisão do governo uruguaio de autorizar o funcionamento da fábrica deixou furiosas as autoridades argentinas, particularmente porque surgiu de forma inesperada, pouco depois do presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, ter feito um discurso de tom conciliador em Santiago e ter abraçado o presidente argentino, Néstor Kirchner.

"Esse comportamento, na minha opinião, parece ser pouco sincero e desafortunado", afirmou na manhã desta sexta-feira o chefe de gabinete do governo argentino, Alberto Fernandez, à Radio 10.

Segundo o jornal Clarín, da Argentina, Vázquez afirmou que não tinha de avisar ninguém e nem pedir autorização de ninguém antes de conceder a permissão para a Metsa-Botnia.

Meios de comunicação uruguaios disseram que o presidente do país decidiu conceder a permissão depois de Kirchner ter cumprimentado manifestantes ambientalistas nas ruas da capital chilena, na quinta-feira, afirmando que era solidário à causa deles.

(Reportagem adicional de Cesar Illiano em Buenos Aires)