6 de Dezembro de 2007 / às 20:07 / 10 anos atrás

Latino-americanos temem aumento da corrupção nos próximos anos

MONTEVIDÉU (Reuters) - Os latino-americanos prevêem um aumento da corrupção nos próximos três anos e acham que as medidas governamentais contra o problema são ineficazes, segundo pesquisa divulgada na quinta-feira pela entidade internacional Transparência Internacional (TI).

Foram ouvidas 60 mil pessoas em 60 países e territórios, sendo nove deles na América Latina (Argentina, Bolívia, Colômbia, República Dominicana, Equador, Guatemala, Panamá, Peru e Venezuela).

O chamado Barômetro Global da Corrupção 2007 mostra que 52 por cento dos entrevistados entre junho e setembro na região consideram que haverá mais corrupção nos seus países até 2010.

A América Latina ficou na média das respostas mundiais, segundo o relatório divulgado em Berlim, onde fica a sede da TI, e publicado também no site www.transparency.org.

“Mais de metade dos cidadãos entrevistados no mundo todo acha que o nível de corrupção vai aumentar durante os próximos três anos. Só um em cada cinco entrevistados tem expectativas de que o nível de corrupção diminua no futuro próximo, enquanto um em cada quatro espera que se mantenha”, acrescentou o texto, referindo-se aos dados globais.

Os mais pessimistas são os guatemaltecos (66 por cento prevêem aumento da corrupção) e panamenhos (65 por cento pensam assim), seguidos por Equador (53), Colômbia (52) e Argentina (51).

Na Bolívia, no Peru e na Venezuela, entre 40 e 45 por cento dos entrevistados prevêem mais corrupção nos próximos três anos.

A exemplo do que ocorre no resto do mundo, os partidos, os Congressos e as polícias são as instituições latino-americanas menos confiáveis para os habitantes.

Além disso, segundo o estudo, “a corrupção de pequena escala é um problema grave no âmbito da Justiça nos países da América Latina”, embora tenha diminuído o percentual de entrevistados que declaram ter pagado subornos para serviços públicos.

Para 54 por cento dos entrevistados na região, a luta dos governos contra a corrupção é ineficaz --cifra que chega a 73 por cento na Argentina.

Dos nove países, só na Colômbia, no Equador e na Venezuela há mais otimismo que pessimismo com a atuação dos governos (aprovação de respectivamente 49, 47 e 38 por cento, respectivamente).

“É urgente que as medidas adotadas contra a corrupção gerem resultados concretos, que tenham um impacto real na vida das pessoas e que dêem passagem a um futuro onde a corrupção não arrebate oportunidades nem esperanças”, disse a TI.

Por Patricia Avila

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