Manifestantes queimam carros no Tibet; China culpa Dalai Lama

sexta-feira, 14 de março de 2008 15:26 BRT
 

Por Chris Buckley e Lindsay Beck

PEQUIM (Reuters) - Manifestantes pró-independência queimaram lojas e carros em Lhasa, capital do Tibet, na sexta-feira, mesmo dia em que policiais chineses teriam matado duas pessoas na cidade, na pior onda de instabilidade surgida na região em duas décadas.

A China acusou simpatizantes do líder espiritual do Tibet, Dalai Lama, atualmente exilado, de "arquitetar" o levante, que mancha a imagem do país cuidadosamente construída de prosperidade e harmonia nacionais, às vésperas dos Jogos Olímpicos de Pequim.

O Dalai Lama pediu que a China pare de usar a força e que dê início a um diálogo com os tibetanos. Manifestações semelhantes ocorridas em outras oportunidades foram violentamente esmagadas pelas forças de segurança chinesas com armas de fogo e prisões em massa.

As passeatas pacíficas realizadas por monges budistas nos últimos dias deram lugar a multidões em fúria enfrentando policiais.

"A situação está bem caótica nas ruas", afirmou por telefone um tibetano que mora na região. "As pessoas estão queimando carros, motos e ônibus. Há fumaça por todos os cantos. Eles estão atirando pedras e quebrando janelas. Nós estamos com medo."

A Rádio Ásia Livre disse que a polícia chinesa disparou contra os manifestantes, matando dois deles. A informação teria sido repassada por testemunhas que a rádio não identificou.

Uma fonte afirmou à Reuters que dois tibetanos tinham sido mortos por disparos de arma de fogo perto do Monastério Ramoche, nas cercanias de Lhasa. Não foi possível obter maiores informações sobre essas supostas mortes.

Os moradores da área do templo Jokhang, na parte velha de Lhasa, contaram ter visto grupos de policiais antimotim. Mas nenhum deles ouviu disparos de armas de fogo. "Estamos esperando para ver o que acontecerá amanhã", afirmou uma tibetana. "A coisa pode piorar muito."   Continuação...