Para ONU, guerra no Afeganistão não será vencida militarmente

segunda-feira, 6 de outubro de 2008 12:32 BRT
 

Por Jonathon Burch

CABUL, 6 de outubro (Reuters) - A guerra travada no Afeganistão não pode ser vencida militarmente e só haverá êxito pela via política, o que incluiria realizar um diálogo envolvendo todas as partes relevantes, afirmou na segunda-feira a principal autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) naquele país.

Os comentários surgiram depois de o comandante das forças militares da Grã-Bretanha no Afeganistão ter dito que a guerra não poderia ser vencida e que o objetivo das ações armadas era apenas combater a insurgência para impedir que seja uma ameaça estratégica e para que possa ser enfrentada pelo Exército afegão.

O brigadeiro Mark Carleton-Smith afirmou que, se o Taliban quisesse negociar, esse poderia ser "exatamente o tipo de avanço" necessário para colocar fim à insurgência.

"O que mais precisamos é de um esforço político renovado, de mais energia política", disse o enviado especial da ONU no Afeganistão, Kai Eide, em uma entrevista coletiva realizada em Cabul.

"Sempre soubemos que não conseguiremos fazer isso militarmente. Isso deve ser obtido por meios políticos. Isso significa um engajamento político."

Segundo Eide, o sucesso depende da realização de diálogos com todos os lados envolvidos no conflito. "Se alguém quiser obter resultados relevantes, precisa falar com os que são relevantes. Se alguém quiser obter resultados que farão diferença, precisa falar com os que fazem diferença," disse.

O embaixador britânico em Cabul afirmou que um eventual aumento no contingente de soldados presente no Afeganistão serviria apenas para ampliar o número de alvos para o Taliban. Os comentários dele foram feitos a um colega francês que depois enviou um telegrama para Paris. Esse telegrama vazou e foi publicado pelo jornal Le Canard Enchaîné.

No entanto, o general norte-americano encarregado de comandar as forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) afirmou no mês passado que precisa de mais quatro brigadas --cerca de 15 mil soldados-- além do contingente suplementar de 4.000 integrantes previsto para chegar em janeiro.   Continuação...