DAVOS-Guerra "afunda a região" do Afeganistão, diz Karzai

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008 21:08 BRST
 

DAVOS, Suíça (Reuters) - O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, disse na quarta-feira que a violência está tomando conta da sua região e pediu aos países que enfrentem a militância com ações em vez de retórica.

"Enquanto o Afeganistão ainda é um campo de batalha crítico, uma guerra que se espalha rapidamente está afetando a região como um todo", disse Karzai em discurso no Fórum Econômico Mundial.

"Nossas estratégias nesta guerra foram frequentemente ludibriadas por uma série de retóricas enganadoras", disse ele. "Os governos na região precisam avançar além da retórica e parar de buscar seus interesses no uso dos extremistas políticos."

Karzai não citou nominalmente nenhum país, mas suas relações com o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, já estiveram perto do rompimento devido às queixas afegãs de que insurgentes do Taliban operam a partir do lado paquistanês da fronteira comum.

Muitos militantes da Al Qaeda e do Taliban se refugiaram nas áreas fronteiriças depois da invasão norte-americana do final de 2001, em retaliação aos atentados de 11 de setembro daquele ano.

O Afeganistão atualmente enfrenta uma intensa insurgência do Taliban, enquanto as forças paquistanesas confrontam militantes pró-Taliban em diferentes partes do noroeste, perto da fronteira afegã.

Listando uma série de ataques em ambos os países, inclusive o assassinato da líder oposicionista paquistanesa Benazir Bhutto, em dezembro, Karzai disse que o "terrorismo mutante" toma conta da região.

"Tudo indica que a difusão do terrorismo como um incêndio selvagem pela nossa região seja um prenúncio terrivelmente ruim para todo o mundo."

Karzai defendeu ações contra refúgios dos militantes e a destruição da sua infra-estrutura e das suas redes financeiras e de recrutamento.

O Afeganistão e o Paquistão, ambos aliados dos EUA, prometeram no passado colaborar contra a militância, mas deram poucos passos concretos nesse sentido.

Na quarta-feira, o Paquistão enviou reforços militares à região fronteiriça do Waziristão do Sul, onde as forças do governo tentam extirpar bastiões dos militantes acusados de estarem por trás da morte de Bhutto.