Líder da ONU pressiona Bush a agir contra mudanças climáticas

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008 16:09 BRST
 

Por David Alexander

WASHINGTON (Reuters) - Ban Ki-moon, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), pressionou na sexta-feira o presidente norte-americano, George W. Bush, para que adote um papel de liderança nas negociações sobre um pacto mundial de combate ao aquecimento global.

Os Estados Unidos, um país que sob o comando de Bush tem relutado em adotar medidas para enfrentar o aquecimento, mudaram de postura, abruptamente, nas negociações sobre as mudanças climáticas realizadas em Bali, Indonésia, em dezembro, e juntaram-se a 190 países ao aceitar negociar um novo acordo a ser finalizado até o final de 2009.

"Seria muito importante que a comunidade internacional não deixasse enfraquecer o impulso nascido em Bali, no último mês de dezembro, para tratar das mudanças climáticas", afirmou Ban ao dirigente norte-americano após um encontro no Salão Oval, na Casa Branca.

Segundo o secretário-geral da ONU, os EUA, com suas tecnologias inovadoras e sua capacidade de investimento, tinham um papel fundamental a desempenhar nos avanços do projeto de acordo aceito globalmente na cúpula de Bali.

"Conto com a sua liderança e com a sua participação ativa", disse Ban, acenando com a cabeça para Bush. "Eu valorizo o seu engajamento construtivo nesse processo. E conto com a sua liderança."

Bush retirou os EUA do Protocolo de Kyoto pouco depois de ter tomado posse na Presidência, afirmando que esse acordo apresentava falhas insanáveis. Desde então, mostrava-se relutante a aceitar um acordo que excluísse os países em desenvolvimento da obrigação de diminuir as emissões de gases do efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento.

O acordo de Kyoto obriga vários países industrializados a cortar suas emissões de 2008 a 2012, mas eximiu os países em desenvolvimento de um compromisso do tipo.

O processo de negociação acertado em Bali tenta obrigar todos os países a reduzirem suas emissões a partir de 2013. Os EUA, inicialmente, opuseram-se ao acordo, mas mudaram de opinião no último minuto.

O país faz parte do grupo dos maiores emissores de gases do efeito estufa do mundo, ao lado da China e da Índia, entre outros.