Caminho do Brasil para a Opep é longo e incerto, dizem analistas

quinta-feira, 15 de novembro de 2007 17:27 BRST
 

Por Andrei Khalip

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A descoberta de gigantescas reservas de petróleo na semana passada, na bacia de Santos, gerou enorme otimismo no governo, mas dificilmente o país poderá se tornar membro da Opep num futuro próximo.

A Petrobras diz que o campo Tupi, localizado na chamada camada pré-sal, tem potencial para 5 a 8 bilhões de barris de petróleo leve e gás, o que faz dessa uma das maiores descobertas de combustível no mundo nos últimos 20 anos. Por causa da profundidade da água e da camada de sal, a exploração do campo é um projeto desafiador.

Alguns membros do governo dizem que essa e outras descobertas no pré-sal podem elevar o Brasil "ao nível da Arábia Saudita e da Venezuela", e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a cogitar publicamente uma adesão à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Mas analistas dizem que o custoso desenvolvimento desses poços levaria pelo menos seis ou sete anos, e que em breve a euforia deve dar lugar a um debate no governo sobre a conveniência de exportar esse combustível ou de preservar as reservas para as futuras necessidades internas.

"Ainda há muitas incógnitas sobre as reservas e a produção planejada, enquanto a complexidade é enorme ..., e já há uma discussão sobre quão atrativas as grandes exportações de petróleo são para o Brasil", disse Caio Carvalhal, pesquisador-associado da Associação de Pesquisa Energética de Cambridge.

O consultor brasileiro Jean-Paul Prates disse que o Brasil pode se tornar "um exportador natural", mas não deve ter pressa, como outros países que não têm nada além de petróleo para vender. "É preciso manter o ritmo de exploração da reposição de reservas. Apressar as coisas só vai antecipar o fim das reservas", afirmou.

A Petrobras espera ter em funcionamento até 2011 um projeto-piloto para a extração diária de 100 mil barris do campo Tupi, para até 2013 levar outras plataformas e ampliar a produção para 400 mil barris diários.

Mas analistas dizem que esse cronograma é bastante otimista, especialmente diante dos atrasos da Petrobras nos últimos anos no início de outros grandes projetos.   Continuação...