Bhutto afirma que algumas madrassas ensinam a matar no Paquistão

domingo, 23 de dezembro de 2007 16:25 BRST
 

Por Faisal Aziz

LARKANA, Paquistão (Reuters) - A líder de oposição no Paquistão Benazir Bhutto declarou neste domingo que algumas escolas religiosas estão transformando crianças em assassinos.

Num discurso para 25 mil simpatizantes na cidade de Larkana, no sul do país, ela também repetiu as acusações de que o governo não faz nada para impedir a violência de militantes extremistas.

"Eles sempre querem impedir as forças democráticas, mas não fazem nenhum esforço contra extremistas, terroristas e fanáticos", disse ela no comício num estádio de críquete, dois dias depois de um atentado suicida a bomba ter matado cerca de 50 fiéis numa mesquita.

O Paquistão tem passado por um pico de violência e atentados neste ano. Nos últimos meses, mais de 400 pessoas foram mortas em atentados por todo o país.

Neste domingo, um homem-bomba matou quatro soldados e cinco civis num ataque contra um comboio militar no noroeste paquistanês, segundo a polícia.

Bhutto disse que o presidente Pervez Musharraf falou da necessidade de se reformar as escolas religiosas, mas não fez nada. Ela afirmou respeitar escolas religiosas genuínas.

"Mas há as madrassas (escolas religiosas) políticas, as madrassas políticas ensinam os seus alunos a fazer bombas, a usar rifles e a matar mulheres, crianças e idosos", declarou.

A polícia afirmou que suspeita que militantes islâmicos de uma região tribal semi-autônoma na fronteira com o Afeganistão são os responsáveis pelo ataque de dois dias atrás.

No comício deste domingo, guardas particulares usaram detectores de metal na entrada do estádio. Bhutto sobreviveu a um ataque em outubro, quando uma explosão matou 150 pessoas em Karachi.

"O extremismo está ficando forte nas nossas regiões tribais, e a desordem está se espalhando pelo país", disse ela.