Líder iraniano pede a muçulmanos que "batam na cara" de Israel

domingo, 2 de março de 2008 18:35 BRT
 

TEERÃ (Reuters) - O mais alto clérigo do Irã pediu que os muçulmanos e seus líderes se ergam e "batam na cara de Israel com a fúria de suas nações" por causa da ofensiva do Estado judeu na Faixa de Gaza, que já matou mais de cem palestinos.

O supremo líder aiatolá Ali Khamenei também responsabilizou o outro arquiinimigo do Irã, os Estados Unidos, pelos "crimes militares" em Gaza e disse que "as mãos do governo norte-americano estão manchadas do sangue dos inocentes da nação palestina."

A oposição a Israel é um dos fundamentos da crença xiita do Irã, que apóia grupos militantes islâmicos palestinos e libaneses, contrários a acordos de paz com Israel.

"É com o apoio daquele governo opressor (dos EUA) que os sionistas (Israel) estão cometendo pecados com impunidade", disse Khamenei em declaração lida na televisão estatal.

"O povo islâmico deve se erguer e os líderes islâmicos devem bater na cara do regime de ocupação (de Israel) com a fúria de suas nações," dizia a declaração.

A nota foi divulgada depois que o presidente palestino, Mahmoud Abbas, suspendeu as negociações de paz com Israel, exigindo o fim da ofensiva.

Israel disse que estava agindo em legítima defesa na Faixa de Gaza -- que é controlada pelo Hamas -- para deter os ataques com foguetes por militantes. Israel também ameaçou intensificar sua campanha aérea e terrestre, apesar das alegações de que estaria usando força excessiva.

Uma criança palestina de 21 meses, dois civis e três militantes foram mortos nos combates mais recentes na Faixa de Gaza, aumentando o número de mortos de palestinos em cinco dias para mais de cem, segundo registros médicos.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, acusou Israel de usar "força excessiva." Ele exigiu que os ataques aéreos, que mataram 61 pessoas no sábado, fossem interrompidos. Foi o dia mais sangrento para os palestinos desde os anos 1980.   Continuação...