2 de Março de 2008 / às 13:20 / 9 anos atrás

Abbas suspende negociações com Israel após ofensiva em Gaza

<p>O presidente palestino Mahmoud Abbas doa sangue em seu quartel-general na cidade de Ramallah, neste domingo. Abbas suspendeu no domingo as negocia&ccedil;&otilde;es de paz com Israel, exigindo o fim da ofensiva na Faixa de Gaza que j&aacute; matou mais de 100 palestinos, muitos dos quais civis. Photo by Loay Abu Haykel</p>

Por Nidal al Mughrabi

FAIXA DE GAZA (Reuters) - O presidente palestino Mahmoud Abbas suspendeu no domingo as negociações de paz com Israel, exigindo o fim da ofensiva na Faixa de Gaza que já matou mais de 100 palestinos, muitos dos quais civis.

Israel disse que está agindo em defesa própria contra a Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas, para frear os constantes ataques de foguetes lançados por militantes. Israel ameaçou intensificar sua campanha por terra e ar, apesar das críticas de que estaria empregando força excessiva.

Um assessor sênior de Abbas na cidade de Ramallah, na Cisjordânia, disse que o líder palestino ordenou "a suspensão das negociações até a agressão israelense terminar".

Mas Abbas não chegou a declarar o fim total das negociações mediadas pelos Estados Unidos, às quais se opõem os islâmicos do Hamas que em junho passado assumiram o controle da Faixa de Gaza, tirando-o do Fatah, o movimento de Abbas.

Arye Mekel, porta-voz da negociadora chefe de Israel, a ministra das Relações Exteriores Tzipi Livni, qualificou de erro a decisão de Abbas e disse esperar que as conversações sejam retomadas "no futuro muito próximo".

Uma menina palestina de 21 meses e três militantes morreram nos combates mais recentes na Faixa de Gaza, elevando o número de mortos palestinos em cinco dias de violência para mais de 100, segundo médicos.

Manifestações anti-Israel explodiram na Cisjordânia ocupada, onde as forças israelenses perto da cidade de Hebron, confrontadas com pessoas atirando pedras, mataram a tiros um menino de 14 anos que usava na testa a faixa do Hamas, disseram testemunhas.

Nove foguetes caíram no sul de Israel, ferindo quatro pessoas, segundo enfermeiros de ambulâncias israelenses.

"Israel não pretende suspender a luta contra as organizações terroristas por um minuto sequer", disse de seu gabinete o primeiro-ministro Ehud Olmert, diante do novo desafio de foguetes de longo alcance que atingiram a cidade de Ashkelon, no sul de Israel.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, acusou Israel de empregar força excessiva.

Ele pediu a suspensão dos ataques aéreos e terrestres que deixaram 61 mortos no sábado, o dia mais sangrento para os palestinos desde a década de 1980, e também dos disparos de foguetes por militantes.

"Com todo o devido respeito, ninguém tem o direito de dar aulas de moral a Israel por fazer uso de seu direito elementar de autodefesa", disse Olmert.

Mahmoud Abbas declarou o domingo um dia de luto.

A secretária de Estado americana Condoleezza Rice vai reunir-se com Abbas e Olmert esta semana. Washington disse que espera que as conversações israelo-palestinas possam chegar a uma conclusão, com a criação do Estado palestino, antes do término da Presidência de George W. Bush, em janeiro.

Na ofensiva atual, as tropas israelenses penetraram mais fundo na Faixa de Gaza, e com número maior de soldados, desde 2005, quando Israel retirou suas tropas e seus colonos do território, 38 anos depois de sua tomada.

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