17 de Dezembro de 2007 / às 16:26 / em 10 anos

Mercosul tenta consolidar unidade apesar de desavenças internas

MONTEVIDÉU (Reuters) - Os chanceleres e ministros da Economia dos países-membros do Mercosul iniciaram na segunda-feira, em Montevidéu, uma rodada de negociações com o objetivo de consolidar a unidade do bloco apesar das desavenças internas e dos conflitos bilaterais existentes atualmente.

Entre os compromissos da reunião, consta a assinatura de um tratado de livre comércio com Israel, o primeiro a ser firmado com um país de fora da América Latina desde a criação do bloco, em 1991. Esse acordo promete ser um dos poucos resultados concretos do encontro.

Prevê-se ainda que os presidentes dos países-membros assinem uma declaração de apoio ao ingresso da Venezuela no Mercosul, adesão essa que ainda depende da ratificação da medida pelos Congressos do Brasil e do Paraguai.

"Esse acordo (com Israel) é importante", afirmou o subdiretor da chancelaria uruguaia, Nelson Fernández, à rádio El Espectador.

A cúpula marcará ainda a estréia no cenário internacional da nova presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, que desembarca em Montevidéu em meio a um momento tenso das relações entre seu país e o Uruguai. Os dois travam um conflito ambiental há mais de dois anos.

O encontro semestral ainda corre o risco de fracassar nas questões internas. O Mercosul, do qual participam a Argentina, o Brasil, o Paraguai e o Uruguai, pouco avançou para concluir um código aduaneiro comum e um plano para reduzir as assimetrias entre os países-membros.

"Se não tivermos um Mercosul consolidado, fica difícil de pensarmos no futuro e de lutarmos pela constituição de uma comunidade sul-americana de nações", afirmou à agência de notícias Telam o presidente da Secretaria Permanente do bloco, Carlos Alvarez.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, ameaçou abandonar os esforços de ingresso no bloco se a entrada da Venezuela não fosse aprovada até o final deste ano. Mas os parlamentos brasileiro e paraguaio adiaram a votação da matéria para 2008.

Para Chávez, a adesão ao Mercosul significa um passo adiante em seus esforços para constituir um bloco regional capaz de opor-se aos EUA.

Em Montevidéu, Cristina assumirá a presidência rotativa do bloco, substituindo no cargo o presidente do Uruguai, Tabaré Vásquez, e é possível que se retome o debate em torno de uma fábrica de papel construída à beira de um rio na fronteira dos dois países.

Reportagem de Daniela Desantis

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