Governo do Nepal e maoístas concordam em abolir a monarquia

domingo, 23 de dezembro de 2007 17:43 BRST
 

Por Gopal Sharma

KATMANDU (Reuters) - O governo do Nepal concordou neste domingo em abolir a monarquia de séculos no país, como parte de um acordo político com os ex-rebeldes maoístas. A decisão, porém, só será implementada depois das eleições para a constituinte, segundo relataram líderes de partidos.

O país do Himalaia entrou em turbulência política três meses atrás, quando os antimonarquistas maoístas, que encerraram a sua guerra civil de uma década no ano passado, deixaram a coalizão de governo.

Eles exigiam a declaração imediata da república. A crise adiou as eleições para a assembléia constituinte, marcada para novembro.

A votação, a primeira nacional no Nepal desde 1999, decidiria o futuro da monarquia e consolidaria o acordo de paz de 2006, que terminou com um conflito que matou mais de 13 mil.

Representantes do governo se encontraram com a liderança maoísta para superar o impasse e retomar a saída conciliada.

"O Nepal será uma república democrática, e essa decisão será implementada depois da primeira reunião da assembléia constituinte", disseram a coalizão governista, composta por seis partidos, e os maoístas, num comunicado.

"Se o rei criar obstáculos para a eleição da assembléia constituinte, uma maioria de dois terços do Parlamento (interino) pode remover a monarquia antes mesmo da votação nacional", afirma o comunicado.

A popularidade do rei Gyanendra despencou quando ele desfez o governo e assumiu poderes absolutos em 2005. Ele acabou cedendo depois de semanas de protestos.

O governo também iniciará o processo de reintegrar os ex-combatentes maoístas, afirma o comunicado. Milhares de ex-combatentes estão confinados em campos das Nações Unidas desde o ano passado. Como contrapartida, os maoístas devolverão terras e propriedades confiscadas durante o conflito.

REUTERS FE