17 de Dezembro de 2007 / às 19:56 / 10 anos atrás

Juiz manda prender ex-ditador do Uruguai Gregorio Alvarez

<p>Um juiz uruguaio enviou nesta segunda-feira &agrave; pris&atilde;o o ex-ditador Gregorio Alvarez, acusado de participar do sequestro e desaparecimento de v&aacute;rias pessoas durante o regime militar (1973-85). Foto em Montevid&eacute;u, 5 de dezembro. Photo by Andres Stapff</p>

MONTEVIDÉU (Reuters) - Um juiz uruguaio enviou nesta segunda-feira à prisão o ex-ditador Gregorio Alvarez, acusado de participar do sequestro e desaparecimento de várias pessoas durante o regime militar (1973-85).

O juiz Luis Charles investiga o envio, em 1978, de presos políticos para a Argentina e que nunca mais foram vistos. Na época, Alvarez era comandante do Exército.

A defesa de Alvarez havia apresentado dias atrás um recurso de inconstitucionalidade sobre o delito de “desaparecimento forçado”. A Suprema Corte de Justiça rejeitou o pedido, mas o caso voltou ao juiz.

Alvarez foi presidente do governo militar entre 1981 e 85.

O juiz também determinou a prisão do militar da reserva Juan Carlos Larcebeau, por envolvimento no mesmo caso, segundo a promotora Mirtha Guianze. Um terceiro implicado, o oficial da reserva da Marinha Jorge Tróccoli, também teve a prisão decretada -- seu advogado disse que ele está viajando e volta no fim do mês.

“Isso é muito alentador depois de 30 anos de luta”, disse Luisa Cuestas, integrante da Associação de Familiares de Desaparecidos, ao site www.observa.com.uy.

A imprensa local disse que o ex-ditador já está numa prisão especial, construída meses atrás para os primeiros militares detidos por crimes da ditadura.

“O escudo do silêncio levantado pelos indagados e testemunhas militares, com suas três pontas fundamentais, isso é, ‘não tenho conhecimento’, ‘eu era administrativo’ e ‘o responsável está morto’, cede diante do direito-dever de saber”, disse nota da corte, citando o juiz Charles.

“Não se trata exclusivamente de um direito a conhecer, a buscar a verdade, como atividade humana, e sim do dever de todos de recordar o acontecido, como obrigação ética”, acrescentou.

Charles disse que pesou em sua decisão também o fato de Alvarez ter sido um dos responsáveis pelo “aparato organizado do poder” naquela época.

Cerca de 200 uruguaios desapareceram durante a ditadura, a maioria sequestrados na Argentina no âmbito da Operação Condor (cooperação entre regimes militares da época).

Os dois ex-militares se somam a outros dez presos por desaparecimentos de uruguaios na Argentina, numa inédita sentença ditada em setembro de 2006.

A Justiça pôde realizar essas investigações depois que o presidente Tabaré Vázquez excluiu pela primeira vez vários casos da lei de anistia que proíbe o julgamento de militares por crimes da ditadura, já que estes ocorreram fora do território uruguaio.

Em novembro de 2006, o ex-ditador Juan María Bordaberry e seu chanceler Juan Carlos Blanco foram presos como co-autores de quatro homicídios -- inclusive de dois parlamentares -- ocorridos em 1976 em Buenos Aires.

Reportagem de Patricia Avila

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