Bolívia pede investimento e quer reduzir envio de gás ao Brasil

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008 18:25 BRST
 

BRASÍLIA, 13 de fevereiro (Reuters) - O vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, solicitou na quarta-feira mais investimentos do Brasil no setor energético do seu país e sugeriu negociações para limitar a oferta de gás exportado para cá.

Depois que o Brasil prometeu em dezembro investir cerca de 1,5 bilhão de dólares em novos projetos de extração de gás, em estradas e em assistência agrícola à Bolívia, as relações bilaterais melhoraram substancialmente.

Mas a produção de gás cresce lentamente, e a Bolívia cogita limitar as exportações para Argentina e Brasil durante os meses de maior consumo neste ano, disse García a jornalistas em Brasília, onde foi recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ele afirmou que Lula deve se reunir nos próximos dias com seus colegas Evo Morales (Bolívia) e Cristina Kirchner (Argentina) para discutir uma solução. Uma data possível é o dia 22, quando Lula e Cristina já têm um encontro marcado na Argentina.

"Entre eles verão como podem alcançar um acordo regional que satisfaça a todos", disse García.

O vice-presidente boliviano disse que a Bolívia normalmente poderia suprir a demanda média habitual do Brasil, de 27 a 29 milhões de metros cúbicos de gás por dia, volume aquém da capacidade total do gasoduto binacional, de 31 a 32 milhões de metros cúbicos por dia.

Apesar dos pedidos do boliviano, o ministro brasileiro da Energia, Edson Lobão, disse após a reunião com García que a Bolívia não vai reduzir o fornecimento nem aumentar o preço do gás exportado ao Brasil.

As duras negociações entre La Paz e a Petrobras, que é o maior investidor estrangeiro na Bolívia, abalaram as relações entre os dois países depois que o governo de Morales nacionalizou os recursos energéticos, em maio de 2006.

A Bolívia também quer um empréstimo de 400 milhões de dólares para construir uma estrada ligando o altiplano aos departamentos amazônicos do norte. Posteriormente, segundo García, haveria uma ligação rodoviária dali com o norte do Brasil e o Peru.   Continuação...