ANÁLISE-VALE procura diversidade, e não sinergia, com Xstrata

terça-feira, 22 de janeiro de 2008 11:02 BRST
 

Por Nao Nakanishi e James Regan

HONG KONG/SYDNEY, 22 de janeiro (Reuters) - As negociações da Vale para uma eventual aquisição da mineradora anglo-suíça Xstrata inevitavelmente vão causar comparações com a oferta da BHP Billiton pela Rio Tinto, mas as duas propostas talvez sejam mais notáveis pelas diferenças do que pelas semelhanças.

Embora ambas possam representar o ponto mais alto da consolidação do setor de mineração depois de anos de alta nos preços, elas diferem em razão e em relevância para os mercados de commodities.

Os grandes produtores asiáticos de aço inoxidável não devem se incomodar muito com uma aquisição pela Vale, embora a empresa criada pela transação deva representar a maior mineradora de níquel do mundo. Em contraste, o medo de um gigante que domine o mercado criado pela união entre BHP e Rio Tinto causou preocupação entre as siderúrgicas asiáticas que negociam os preços do minério de ferro a cada ano.

Já a aquisição que a Vale está tentando, caso efetivada, envolveria mais a entrada em novos mercados e a expansão internacional.

"A combinação entre BHP e Rio gira em torno de sinergias, e a da Vale com a Xstrata em torno da diversificação", disse James Wilson, da DJ Carmichael & Co.

Na segunda-feira, a Vale (VALE5.SA: Cotações), maior produtora mundial de minério de ferro, com quase 20 por cento do total, anunciou que estava negociando com a Xstrata XTA.L quanto a uma possível aquisição, em uma transação que os analistas afirmam poder superar os 100 bilhões de dólares.

O anúncio surgiu na esteira dos esforços da maior mineradora mundial, a BHP Billiton (BLT.L: Cotações), para adquirir a Rio Tinto (RIO.L: Cotações). A BHP Billiton tem prazo até o dia 6 de fevereiro para elevar sua oferta inicial de 130 bilhões de dólares ou deixar o campo livre.

Para a Vale, a aquisição oferece produção significativa de cobre e zinco, bem como de carvão térmico, mas o foco dos analistas era o fato de que a transação permitiria que a empresa brasileira superasse a russa Norilsk Nickel GMKN.RTS como maior mineradora mundial de zinco, com total estimado em 30 por cento da produção de metal refinado.

(Reportagem adicional de Rujun Shen em Xangai e Polly Yam em Hong Kong)

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