Diretor do FMI defende que Brasil tenha fundo soberano

terça-feira, 6 de novembro de 2007 18:55 BRST
 

RIO DE JANEIRO, 6 de novembro (Reuters) - O diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o Brasil, Paulo Nogueira Batista, defendeu nesta terça-feira a criação de um fundo soberano no país para que o governo possa diversificar seus recursos em aplicações mais rentáveis e vantajosas.

Segundo o economista, o assunto já está sendo discutido pelo governo e dependeria de uma aprovação do legislativo brasileiro.

"Com a criação do fundo, o governo teria uma margem de manobra maior, um leque de aplicações maior. A idéia do fundo soberano é permitir aplicações não tradicionais de rentabilidade maior, mas com um risco adicional", disse Batista ao afirmar que outros emergentes como Rússia e China já adotaram isso.

"Há um temor nos desenvolvidos que emergentes possam abocanhar setores estratégicos nessas nações de primeiro mundo", acrescentou.

Segundo o economista, o fundo criado por alguns países permite até que o governo local compre ações de uma empresa e se torne sócia de uma companhia de capital aberto.

"O Brasil já tem um nível de reservas necessário e, seguramente, superior ao mínimo para se defender contra choques externos. Com o acréscimo de reserva o governo deixaria de aplicar apenas em papéis de grande segurança, liquidez e baixa rentabilidade. A tendência é que tenhamos um excedente de reservas nos próximos meses", destacou o economista do FMI ao lembrar que na América Latina somente Trinidad e Tobago e Chile possuem fundos soberanos.

Paulo Nogueira Batista apontou ainda os juros, a carga tributária e o gargalo em infra-estrutura como os principais desafios para o Brasil crescer a um ritmo mais elevado nos próximos anos. "A apreciação da moeda é cada vez mais grave no Brasil. Vai ser difícil o Brasil evitar uma apreciação cambial se o patamar de juros continuar tão alto", disse.