Acordo da OMC afetaria metade das importações de manufaturados

quinta-feira, 18 de outubro de 2007 15:39 BRST
 

Por Laura MacInnis

GENEBRA, 18 de outubro (Reuters) - Cerca de metade dos produtos manufaturados que circulam pelo mundo hoje podem ficar sujeitos a taxas de importação menores com as propostas que estão sendo discutidas para o novo pacto global de comércio.

A outra metade talvez não sofra nenhuma mudança nas tarifas pelo que determina o acordo, mas pelo menos os governos serão impedidos de aumentá-las muito acima dos níveis atuais, segundo os cálculos de economistas e diplomatas da área.

"Os exportadores podem ser um grandes beneficiados", disse Patrick Messerlin, professor de economia do Institut d'Etudes Politiques de Paris, sobre o impacto previsto da fórmula de cortes de tarifas que está sendo negociada na Organização Mundial do Comércio (OMC).

As simulações, obtidas pela Reuters, mostram o que as fórmulas de corte de tarifas sugeridas pelo presidente das negociações industriais da OMC, Don Stephenson, em junho fariam com os impostos de importação tanto no mundo desenvolvido como nas economias emergentes.

Também ajudam a explicar as tensões que estouraram este mês nas mesas de negociação em Genebra, onde alguns países em desenvolvimento resistem a abrir seus mercados de bens manufaturados da maneira proposta por Stephenson, que é o embaixador do Canadá na OMC.

O Brasil e a Índia teriam que expor uma ampla variedade de indústrias a mais competição no caso da aplicação do coeficiente entre 19 e 23 proposto por Stephenson para os países em desenvolvimento. Nos coeficientes, quanto menores os números, maiores serão os cortes nas tarifas máximas atualmente permitidas.

A Índia circulou esta semana um documento sugerindo que os países emergentes estariam em melhor situação com coeficientes de 24 a 33, além da adoção de uma lista de excessões que excluiria vários produtos estratégicos dos cortes.

Com um coeficiente maior que 23, as simulações mostram que apenas 9,5 por cento das importações indianas ficariam sujeitas a tarifas menores. Com o coeficiente proposto por Stephenson, essa proporção ficaria entre 46 e 53 por cento.   Continuação...