França precisa de reforma, não de austeridade, diz Sarkozy

quarta-feira, 3 de outubro de 2007 21:09 BRT
 

Por Crispian Balmer

PARIS (Reuters) - O presidente da França, Nicolas Sarkozy, admitiu na quarta-feira que a economia não vai tão bem quanto se esperava, mas disse que ele não vai desistir das reformas nem baixar um pacote de austeridade para melhorar as finanças públicas.

Em conversa com membros do seu partido, o UMP, Sarkozy disse que a única forma de estimular um maior crescimento econômico é modernizando o Estado. Ele pediu aos preocupados deputados governistas que não percam a fé, apesar das dificuldades.

O crescimento pífio, o desemprego em alta e uma forte redução na confiança do consumidor provocaram um final abrupto na lua-de-mel de Sarkozy com a opinião pública, iniciada com sua vitória eleitoral em maio.

O Ministério da Economia chegou a sugerir cortes orçamentários, mas Sarkozy descartou essa hipótese na quarta-feira, dizendo que a única forma de avançar é reformular tudo -- inclusive o mercado de trabalho, a previdência, o sistema tributário e as universidades.

"Não há um plano oculto de austeridade", disse Sarkozy em discurso de 50 minutos no Palácio do Eliseu, transmitido pela TV.

"Quero atacar as causas. Atacar as causas não significa ter um plano de austeridade, que nunca resolveu nada. Reforma não é expurgo", afirmou.

A França prevê um crescimento de 2 por cento neste ano e 2,5 por cento em 2008, mas economistas afirmam que a meta de 2007 não deve se cumprir, o que ameaça os compromissos de controle do déficit orçamentário assumidos pelo governo junto à União Européia.

Quando o antecessor de Sarkozy, Jacques Chirac, experimentou um problema semelhante, logo após sua primeira eleição, em 1995, ele optou por uma fase de apertar os cintos, o que acabou lhe acarretando a perda da maioria parlamentar.   Continuação...