Paquistão prende 300 sob estado de exceção, EUA revêem ajuda

domingo, 4 de novembro de 2007 18:56 BRST
 

Por Simon Cameron-Moore e Zeeshan Haider

ISLAMABAD (Reuters) - A polícia paquistanesa realizou centenas de prisões neste domingo, depois que o presidente Pervez Musharraf desafiou a pressão dos Estados Unidos e da oposição nacional impondo um estado de emergência.

Washington disse que teria que rever sua ajuda financeira de bilhões de dólares ao Paquistão depois que Musharraf declarou o estado de emergência no sábado, frustrando as esperanças dos EUA de ver uma transição a uma democracia civil.

"Obviamente, teremos de rever a situação da ajuda, em parte porque temos que ver o que poderá ser causado por certos estatutos", disse a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, que havia se manifestado contra o estado de exceção em dois telefonemas ao general Musharraf em 31 de outubro.

Washington deu a Islamabad, um importante aliado no combate à Al Qaeda, cerca de 10 bilhões de dólares ao longo dos últimos cinco anos.

O primeiro-ministro Shaukat Aziz disse que as eleições nacionais, marcadas para janeiro, poderão ser adiadas por "até um ano", mas se recusou a dizer quanto tempo o estado de emergência irá durar. Entre 300 e 500 pessoas foram presas, acrescentou ele.

Musharraf, que assumiu o poder em um golpe de estado em 1999, disse que agiu em resposta ao aumento da militância islâmica no país e ao que ele chamou de paralisia do governo por causa da interferência do Judiciário.

"Não posso permitir que esse país cometa suicídio", disse ele em seu pronunciamento ao país, depois de suspender a Constituição e expurgar a Suprema Corte dos juízes que se opunham a ele.

A maior parte dos paquistaneses e diplomatas estrangeiros acredita que o principal motivo para decretar estado de emergência foi para impedir a Suprema Corte de invalidar a reeleição de Musharraf, em 6 de outubro, pelo Parlamento, quando ele ainda era o comandante do Exército.   Continuação...