June 26, 2008 / 2:30 PM / in 9 years

Coréia do Norte entrega relatório nuclear; Bush exibe cautela

4 Min, DE LEITURA

Por Matt Spetalnick

WASHINGTON (Reuters) - A Coréia do Norte entregou nesta sexta-feira um relatório de suas atividades nucleares que vinha sendo adiado havia bastante tempo. Essa medida aliviará as sanções impostas pelos Estados Unidos ao país, mas ainda deixa dúvidas sobre suas ambições nucleares.

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, recebeu a iniciativa com cautela, mas alertou a Coréia do Norte -- que dois anos atrás testou um artefato nuclear -- que enfrentará as consequências se não houver informado integralmente todas as suas operações nucleares.

"Os Estados Unidos não têm ilusões sobre o regime em Pyongyang", disse Bush aos jornalistas na Casa Branca.

"Nós continuamos profundamente preocupados com as violações dos direitos humanos na Coréia do Norte, as atividades de enriquecimento de urânio, proliferação e teste nuclear, programas de mísseis balísticos e a ameaça que ainda representa para a Coréia do Sul e seus vizinhos."

Os Estados Unidos informaram que vão tomar medidas para remover a Coréia do Norte de sua lista de países patrocinadores do terrorismo, bem como levantar as sanções que se embasam na chamada "Lei de Comércio com o Inimigo".

Antes da declaração de Bush, a secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, disse a repórteres na cidade japonesa de Kyoto que ainda há trabalho a fazer para verificar se de fato a Coréia do Norte desistiu de ter armas atômicas.

Ela também deu ênfase à cautela do governo norte-americano.

"Ainda é preciso perguntar: e se a Coréia do Norte estiver trapaceando?", disse Rice, segundo publicou o Wall Street Journal.

"A resposta é simples: Nós responsabilizaremos a Coréia do Norte. Nós vamos restabelecer quaisquer sanções aplicáveis que nós tenhamos suprimido -- e acrescentaremos algumas outras."

Peritos nessa longa disputa disseram que a declaração da Coréia do Norte foi um passo adiante, mas que leva os negociadores a se aprofundarem sobre aspectos não definidos, como o de quem fará novas concessões e o quanto os outros países estão dispostos a acreditar no governo norte-coreano.

"Minha avaliação disto é que, como esta declaração específica (da Coréia do Norte) não inclui armas nucleares ou o número exato das ogivas que eles possuem, isso é algo preocupante. Um outro ponto é saber se os norte-coreanos pararam as atividades do programa de enriquecimento de urânio e até onde eles tinham chegado nesse programa", disse o professor Lee Chung-min, da Yonsei University, de Seul.

"Se essas duas questões não forem verificadas, acho que o terceiro passo na direção do desmantelamento (do programa nuclear) ainda está bastante distante."

A China, a nação mais próxima de Pyongyang, promoveu as conversações envolvendo os seis países que no ano passado conseguiram firmar um acordo pelo qual a Coréia do Norte receberá energia, ajuda e concessões diplomáticas em troca do desmantelamento de sua principal instalação nuclear e entrega de informações sobre as atividades nucleares que realizou antes.

Os seis países participantes das negociações foram as duas Coréias, China, Estados Unidos, Japão e Rússia.

Reportagem adicional de Alan Elsner em Washington, Chris Buckley em Pequim, Susan Cornwell em Kyoto, e Jack Kim em Seul

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