Argentina condena dois repressores da ditadura à prisão perpétua

quinta-feira, 28 de agosto de 2008 20:50 BRT
 

BUENOS AIRES (Reuters) - Dois ex-dirigentes da sangrenta ditadura militar que governou a Argentina entre 1976 e 1983 foram condenados na quinta-feira à prisão perpétua pelo desaparecimento de um senador. Durante o julgamento, ambos defenderam sua atuação na "guerra contra a subversão".

A sentença foi proferida por um tribunal da Província de Tucumán (norte). Os réus são Antonio Domingo Bussi, ex-interventor militar, depois eleito governador no regime democrático, e seu superior Luciano Benjamín Menéndez, responsável militar por várias Províncias da região.

Eles foram condenados pelos crimes de formação de quadrilha, violação de domicílio, privação ilegal de liberdade, homicídio e aplicação de tortura, considerados delitos de lesa-humanidade.

A sentença foi recebida nas galerias com gritos de alegria e insultos aos condenados, duas figuras emblemáticas do regime que sequestrou, torturou e assassinou cerca de 30 mil pessoas, segundo entidades de direitos humanos.

"Prisão comum, perpétua e efetiva -- nem um só genocida na República Argentina", cantavam centenas de manifestantes em frente ao tribunal.

O julgamento é parte dos processos reabertos nos últimos anos, depois que o ex-presidente Néstor Kirchner promoveu no Congresso a anulação de duas leis de perdão que beneficiavam centenas de militares.

(Reportagem de Lucas Bergman e César Illiano)