Pré-sal deve elevar crescimento do país a 6% ao ano, diz ex-BC

sexta-feira, 29 de agosto de 2008 11:30 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Os investimentos necessários para viabilizar a exploração do petróleo na camada pré-sal podem elevar o padrão de crescimento da economia do Brasil dos atuais 4 por cento para 6 por cento ao ano, avaliou o ex-presidente do Banco Central Carlos Langoni, em um seminário no Rio de Janeiro nesta sexta-feira.

Segundo o economista, o pré-sal pode elevar a taxa de investimento do país dos atuais 16 para 25 a 26 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), no período de uma década, colocando o Brasil definitivamente em uma rota de crescimento sustentado.

"O Brasil passa por um período de transição econômica. Estamos na ante-sala do crescimento econômico que pode chegar a 6 por cento ao ano com distribuição de renda e geração de riqueza", disse Langoni, na abertura do seminário Desafios do Pré-sal, na Firjan.

O ex-presidente do BC ressaltou que o pré-sal movimentará a cadeia de petróleo, mas também estimulará investimentos indiretos no segmento de fornecedores de equipamentos e geração de serviços

"Com isso o pré-sal se constituiu em mais um elemento de redução da vulnerabilidade e mais um elemento para potencializar o crescimento brasileiro", acrescentou ele.

Para Langoni, a descoberta do pré-sal veio na hora certa e é fruto do modelo regulatório brasileiro, que a partir de 1998 abriu o mercado a empresas estrangeiras e permitiu que a Petrobras pudesse realizar novos investimentos.

"Deus de fato é brasileiro. Ele nos deu essa riqueza no momento certo. A economia brasileira é sólida, diversificada e dinâmica. Em outros países o petróleo surgiu em uma fase inicial de crescimento", lembrou.

"O pré-sal é uma possibilidade concreta e histórica de consolidar o padrão de crescimento do país", acrescentou. O ex-presidente do BC defendeu a adaptação do atual marco regulatório ao pré-sal, com o aumento de taxas como royalties e participação especial.

Há quem defenda no governo a mudança no modelo de exploração, do atual regime de concessão para o de partilha. A posição de Langoni foi apoiada pelo presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), João Carlos de Luca, e pelo secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio, Julio Bueno. "Alimentar ondas de incertezas pode postergar ou paralisar investimentos e gerar prejuízo a milhares de acionistas, entre eles milhares de trabalhadores brasileiros (que usaram o FGTS para comprar ações da Petrobras)", disse Langoni.

"O governo tem soberania de fazer os ajustes. Defendemos a adaptação do modelo existente... com a Petrobras com um papel preponderante", afirmou o presidente do IBP.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)