Agência da ONU exibe dados de estudos de armas nucleares no Irã

domingo, 2 de março de 2008 13:22 BRT
 

Por Mark Heinrich e Louis Charbonneau

VIENA/NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - Investigadores das Nações Unidas querem que o Irã explique um gráfico organizacional que interliga projetos de processamento de urânio, testes de explosivos e modificação de um cone de míssil para receber carga nuclear, disseram diplomatas informados sobre o assunto.

Os diplomatas disseram que na semana passada um dos diretores da agência de vigilância nuclear da ONU fez uma apresentação detalhada de informações de inteligência afirmando a ocorrência de estudos iranianos sobre o desenvolvimento ilícito de armas atômicas e dando o nome do homem que dirigiu esses estudos para o Ministério da Defesa e de Logística das Forças Armadas.

Num resumo escrito da apresentação cedido à Reuters, os diplomatas disseram que o Irã se negou a permitir que os inspetores interrogassem Mohsen Fakrizadeh ou visitassem os locais em que os experimentos foram realizados.

O resumo também confirmou informações vazadas segundo as quais o Irã levou adiante, pela primeira vez, os projetos até 2004, questionando a estimativa da inteligência americana divulgada em dezembro segundo a qual Teerã teria abandonado em 2003 as pesquisas sobre a produção de armas nucleares.

"Esta apresentação foi uma demonstração gráfica que ... amplia as preocupações que já temos há vários anos", disse o Simon Smith, o embaixador britânico à AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), a jornalistas após o briefing de 25 de fevereiro. "E ainda estamos esperando por respostas."

As revelações foram feitas no momento em que os EUA e seus aliados europeus chaves intensificam as pressões sobre quatro países em desenvolvimento no Conselho de Segurança da ONU para que votem na segunda-feira a favor da adoção de sanções contra o Irã, pelo fato de o país ter se negado a suspender seu programa de enriquecimento de urânio.

O Irã diz que suas ambições nucleares se limitam à geração pacífica de eletricidade e qualificou como infundadas, fraudadas ou irrelevantes as informações de inteligência, obtidas de um laptop tirado da República Islâmica às escondidas e entregue a Washington.

Mas o urânio enriquecido pelo Irã pode ser usado não apenas para criar eletricidade, mas também ser combustível de bombas atômicas, e o país escondeu seu programa da AIEA até 2003, quando o programa foi revelado por dissidentes iranianos exilados.

A AIEA, cuja sede fica em Viena, diz que resta a ver se as novas informações de inteligência são corretas, mas exige do Irã uma resposta completa, e não apenas desmentidos não acompanhados por provas.

Mohsen Fakrizadeh, que é oficial militar, dirigiu no passado um centro de pesquisas de física com finalidades militares que foi demolido em 2004, depois de a AIEA ter pedido para inspecioná-lo para averiguar a presença de indícios de pesquisas nucleares não declaradas.