17 de Agosto de 2008 / às 15:36 / 9 anos atrás

Rússia começará a retirar tropas da Geórgia na segunda-feira

Por Margarita Antidze e Matt Robinson

TBILISI/GORI (Reuters) - A Rússia anunciou que iniciará a retirada de suas forças da Geórgia na segunda-feira, após uma guerra curta que desferiu um golpe humilhante no país banhado pelo Mar Negro e suscitou temores sobre o abastecimento energético da Europa.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse no domingo que o presidente russo, Dmitri Medvedev, lhe falou ao telefone que as forças russas começarão a deixar a Geórgia por volta do meio-dia da segunda-feira.

Sarkozy, representando a União Européia, disse que, se a retirada não acontecer conforme o previsto no acordo de cessar-fogo, haverá "consequências graves" em termos das relações da Rússia com a União Européia.

O Kremlin confirmou o anúncio de Sarkozy, feito em Paris um dia depois de a Geórgia e a Rússia terem selado um acordo de cessar-fogo.

"A Rússia iniciará amanhã (segunda-feira) a retirada do contingente militar deslocado para reforçar as forças de paz russas após a agressão georgiana contra a Ossétia do Sul", disse o Kremlin em comunicado.

Meses de tensão entre a Geórgia e a Rússia, a quem a Geórgia era subordinada na antiga União Soviética, explodiram em 7 de agosto, quando Tbilisi lançou uma investida militar para retomar o controle da região separatista da Ossétia do Sul, cuja autonomia é apoiada pela Rússia.

Moscou disse que 1.600 civis, em sua maioria cidadãos russos, foram mortos no bombardeio georgiano.

O presidente georgiano Mikhail Saakashvili, cuja malograda invasão da Ossétia do Sul, região separatista pró-Rússia, incitou uma reação russa que chocou o ocidente, clamou pelo monitoramento internacional da retirada.

"Creio que o mundo deveria acompanhar", disse ele em uma coletiva de imprensa com a chanceler alemã Angela Merkel, na capital Tbilisi.

Merkel disse que o mundo certamente estará observando se a Rússia vai se retirar rapidamente, de acordo com os termos do plano de paz de seis pontos negociado pela França.

A Rússia já deixou claro que não vê perspectiva no futuro previsível de a Ossétia do Sul, que rompeu com Tbilisi em 1992, ser reintegrada à Geórgia.

Há conversações em andamento com vistas a um acordo internacional sobre uma força de paz para a Ossétia do Sul.

A Ossétia do Sul e a outra região separatista da Geórgia, a Abkházia, têm o apoio político de Moscou. Mas a Geórgia aliou-se ao Ocidente e provocou a ira de Moscou ao buscar ingressar na Otan.

PROVOCAÇÃO

O ministro da Defesa russo Serguei Ivanov, sublinhando a persistente tensão entre os dois países, disse que a Geórgia planejava "uma provocação de grandes proporções" na cidade de Gori, capturada por forças russas na terça-feira à medida que estas se espalhavam da região em disputa para dentro do território georgiano.

Foi dito que a Geórgia estaria organizando grupos mercenários que receberiam uniformes russos e instruções para pilhar e saquear.

A Geórgia logo comunicou uma negação. "Uma tal provocação só seria efetuada pelos russos, com o objetivo de manter unidos militares na zona de conflito", declarou o ministro das Relações Exteriores georgiano em um comunicado.

Um grupo de enviados da ONU que chegou a Gori neste domingo relatou evidências de saques em larga escala. "Embora os edifícios não pareçam ter sido muito danificados, há sinais claros e extensos de saques tanto de lojas quanto de acomodações particulares", declarou o escritório do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR).

Tropas russas permaneciam em posição ao redor de Gori, que controla o acesso à Ossétia do Sul e a principal estrada leste-oeste e que seria crucial para cobrir uma retirada russa.

O major-general russo Vyacheslav Borisov, atualmente na área de seu comando nas cercanias de Gori, que patrulha em um veículo georgiano, não soube dizer quando vai se retirar.

"Fomos os primeiros a chegar, por isso seremos os últimos a sair", disse Borisov à Reuters na estrada próxima a Gori.

Não havia sinais de tiroteios e as tropas pareciam relaxadas.

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