Antes de referendo, Chávez acirra ânimos e se diz alvo de complô

quinta-feira, 29 de novembro de 2007 20:58 BRST
 

Por Brian Ellsworth

CARACAS (Reuters) - Às vésperas do referendo constitucional de domingo, que pode ampliar seus poderes, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, diz ser alvo de planos homicidas e acirra suas batalhas diplomáticas na esperança de inflamar seus seguidores e obter a vitória.

É a primeira vez que Chávez disputa o voto popular sem ter uma clara vantagem nas pesquisas, e ela tenta desviar a atenção de algumas medidas impopulares do pacote de reformas.

"Um voto contra a reforma é um voto contra Chávez", diz ele sobre as 69 emendas --inclusive as que lhe permitem disputar a reeleição indefinidamente, controlar as reservas monetárias internacionais do país e censurar a imprensa "em caso de emergência".

Na quarta-feira, Chávez rompeu relações com o governo da Colômbia e acusou a CNN de fazer campanha disfarçadamente por seu assassinato. No mesmo dia, seu chanceler ameaçou expulsar um funcionário da embaixada dos EUA.

"Isso é sem dúvida uma tática para unir os seguidores em torno dele e tratar todos os demais como traidores da pátria", disse Maruja Tarre, especialista em Relações Internacionais da Universidade Simón Bolívar, em Caracas.

Em suas aparições televisivas, Chávez evita citar detalhes das reformas. Prefere às vezes discutir teorias exóticas, como a de que o libertador Simón Bolívar foi assassinado, em vez de ter morrido de tuberculose, como ensinam os livros.

Recentemente, ele decretou uma mudança de 30 minutos na hora oficial do país, o que virou praticamente assunto único na mídia.

"Quanto mais as pessoas aprendem sobre o conteúdo das reformas, mais preocupadas ficam", disse Elsa Cardozo, especialista em Relações Exteriores na Universidade Central. "Por isso Chávez tem de apresentar isso como um plebiscito a favor ou contra ele."   Continuação...