Irã promete manter caminho nuclear, apesar de sanções

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008 19:38 BRST
 

TEERÃ (Reuters) - Líderes iranianos prometeram na quarta-feira manter o polêmico programa nuclear do país, apesar da iminência de novas sanções da ONU, definidas na véspera pelas grandes potências.

"A nação iraniana escolheu o seu caminho e vai continuar com ele", disse o presidente Mahmoud Ahmadinejad à agência estudantil Isna, qualificando de "ilegal" o comportamento das potências ocidentais.

Os Estados Unidos e outras potências ocidentais suspeitam que o Irã possa desenvolver armas nucleares, o que a República Islâmica nega, alegando que seu objetivo é apenas gerar eletricidade para fins civis.

O Conselho de Segurança da ONU já impôs sanções ao programa nuclear iraniano em dezembro de 2006 e março de 2007. Na terça-feira, as seis potências reunidas em Berlim decidiram um terceiro pacote, mas sem as punições financeiras defendidas por Washington.

Rússia e China, que têm interesses comerciais no Irã, endureceram sua relutância contra as novas sanções depois de um relatório de inteligência norte-americano, em de dezembro, que admitiu que desde 2003 Teerã suspendeu seu programa de armas nucleares.

A nova resolução deve ser apresentada nas próximas semanas aos demais membros do Conselho de Segurança da ONU.

O chanceler russo, Sergei Lavrov, disse que o texto não é duro nem punitivo, e "saúda o progresso feito entre o Irã e a Agência Internacional de Energia Atômica."

"As medidas neste esboço não têm um caráter de duro sancionamento", declarou Lavrov na quarta-feira. Segundo ele, a resolução "pede aos países que fiquem em alerta em suas relações de transportes com o Irã para que tais relações não sejam usadas para transportar materiais potencialmente perigosos."

Após semanas de retórica inflamada, a secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, adotou uma postura mais conciliadora, repetindo a oferta de normalizar as relações com o Irã caso o país abandone atividades nucleares estratégicas.

"Se o Irã suspendesse suas atividades de enriquecimento e reprocessamento de urânio --o que é uma exigência internacional, não só norte-americana-- então começaríamos negociações, e poderíamos trabalhar ao longo do tempo para construir uma nova relação, mais normal", disse ela no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.

(Por Zahra Hosseinian e Henrique Almeida)