Em debate, Marta explora despejo e Kassab volta ao mensalão

sábado, 25 de outubro de 2008 09:13 BRST
 

Por Carmen Munari

SÃO PAULO, 25 de outubro (Reuters) - Em desvantagem de até 18 pontos nas pesquisas de intenção de voto, a candidata do PT Marta Suplicy à prefeitura de São Paulo partiu para um derradeiro ataque ao apresentar, no último debate de TV antes da eleição de domingo, uma carta de despejo supostamente enviada pela prefeitura a moradores de favela com recomendações que incluem "tirar as crianças do caminho".

A candidata acusou ainda o município de utilizar cães, polícia e gás lacrimogêneo na retirada dos moradores. O prefeito e candidato Gilberto Kassab (DEM), líder das pesquisas, afirmou desconhecer a carta e voltou a vincular a candidata ao escândalo do mensalão, acusação de corrupção envolvendo o PT que veio a público em 2005.

Ainda no primero dos cinco blocos do debate realizado pela Rede Globo, Marta leu o documento, sem entregar cópia à imprensa no final do programa. Com cerca de uma hora e meia, o debate teve audiência média de 26 pontos no Ibope.

A carta, segundo Marta, foi entregue pela prefeitura à moradora Luciene da Silva da favela do Jardim Edith, na zona sul da capital.

"Deixar os móveis desmontados, amarrar as portas dos armários, descongelar a geladeira, desocupar o fogão, colocar as coisas miúdas em caixas, não deixar crianças no meio do caminho, deixar almoço ou lanche prontos e avisar no serviço que vai faltar", diz a carta lida por Marta, que questionou a opinião do prefeito sobre o texto.

Nervoso, Kassab falou em "pegadinhas". "Independente do documento que você leu aí, o importante é fazer um debate sobre São Paulo. O importante é discutir a cidade e não com pegadinhas de documentos", afirmou.

Marta, que disse ter recebido o documento há dois dias, revidou. "Respeitar as pessoas não é com você mesmo. Este documento de despejo você manda para as pessoas na véspera. No dia seguinte, vai cachorro e gás lacrimogêneo, trator e polícia. Não é pegadinha", afirmou a candidata.

Na sequência, Kassab duvidou da veracidade do documento afirmando que não sabia se ele é "verdadeiro ou não". Disse que foram investidos em sua gestão "mais do que o triplo" em habitação do que na administração da petista, que governou a cidade entre 2001 e 2004 e foi derrotada na tentativa de reeleição.   Continuação...