Marido de Betancourt diz em SP que Lula deveria se empenhar mais

sexta-feira, 2 de maio de 2008 17:16 BRT
 

Por Todd Benson

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, é imprescindível nas negociações com a guerrilha colombiana Farc para a libertação de Ingrid Betancourt e outros reféns, mas o governo brasileiro também poderia se empenhar mais, disse na sexta-feira o marido dela.

"O governo colombiano, acho que por orgulho, não quer que Chávez participe", disse Juan Carlos Lecompte à Reuters em São Paulo, onde participa de uma conferência ambiental.

"Para nós, parentes dos reféns, (Chávez) é a principal esperança que temos. Imploramos a ele que continue trabalhando pela libertação, e é isso que ele está fazendo."

Chávez, que não esconde sua simpatia pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, já conseguiu mediar a libertação de seis reféns neste ano, mas Bogotá rejeita lhe dar um papel mais formal nas negociações.

Lecompte esperava pedir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira para intervir no caso. Mas Lula, que evita interferir no conflito colombiano, não compareceu ao evento.

"O Brasil infelizmente não tem feito muito. Eu queria dizer ao presidente Lula que esta é uma boa hora para se envolver. Seria importante se Lula transmitisse uma mensagem às guerrilhas colombianas e ao governo colombiano, pedindo que retomem as negociações", afirmou.

Betancourt, cidadã franco-colombiana, foi sequestrada em 2002, quando fazia campanha à Presidência da Colômbia. Relatos vindos do cativeiro na selva dão conta de que ela está com a saúde precária e vive acorrentada por já ter tentado fugir.

Chávez e o presidente equatoriano, Rafael Correa, ambos esquerdistas e adversários do colombiano Alvaro Uribe, dizem que neste ano quase conseguiram a libertação de Betancourt e mais 11 reféns.   Continuação...