Alimento mais caro faz pobreza aumentar no mundo, diz estudo

quinta-feira, 10 de abril de 2008 14:53 BRT
 

Por Missy Ryan

WASHINGTON (Reuters) - A alta global no preço dos alimentos atingiu os países em desenvolvimento de diferentes maneiras, dependendo se importam ou exportam comida, mas o fenômeno aumentou a pobreza em termos gerais, disseram economistas do Banco Mundial em um novo estudo.

"Não obstante certas variações quanto às commodities e aos países em pauta, o fato é que a maior parte dos países pobres são importadores de comida e como tais tendem a sentir mais os preços elevados dos alimentos", afirmaram os economistas Will Martin e Maros Ivanic em estudo que analisa a vulnerabilidade das populações de várias partes do mundo em vista da recente alta dos preços.

"Os casos de aumento da pobreza são consideravelmente mais frequentes e mais acentuados do que os de redução da pobreza", disseram.

Essas conclusões confirmam o que muitas autoridades -- e muitas pessoas comuns que enfrentam filas para conseguir arroz e pão -- suspeitam há meses, período no qual a elevação do preço de alimentos básicos tornou mais difícil para as famílias pobres colocarem comida em suas mesas.

O recorde de preços nos mercados de commodities -- entre 2005 e 2007, o trigo subiu 70 por cento, o milho, 80 por cento, e os laticínios, 90 por cento -- colocou manifestantes nas ruas de vários países, do Egito ao Haiti.

Muitas dessas nações passaram a restringir a exportação de produtos alimentícios, a baixar os impostos que incidem sobre eles e a acumular estoques domésticos, medidas que, segundo os analistas, servirá apenas para agravar o problema.

A tendência de alta pode ser uma boa notícia para os produtores em países exportadores de alimentos, como o Brasil e os EUA, mas faz vítimas entre os países importadores e entre as pessoas mais pobres, que gastam cerca de três quartos de sua renda com a comida.

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