12 de Julho de 2008 / às 16:13 / 9 anos atrás

Zimbábue diz que fracasso das sanções é vitória contra racismo

Por Nelson Banya

HARARE (Reuters) - O Zimbábue saudou no sábado o fracasso da resolução do Conselho de Segurança da ONU, apoiada pelos países ocidentais, de lhe impor sanções por causa das violentas eleições presidenciais, o que classificou de uma vitória contra o racismo e a intromissão em seus assuntos.

A Rússia e a China vetaram na sexta-feira a resolução, que imporia um embargo em armas para o país do sul da África, além de restrições financeiras e de viagem ao presidente Robert Mugabe e 13 autoridades do país.

A Grã-Bretanha afirmou que o veto russo era "incompreensível", enquanto a Rússia disse que sanções abririam um precedente perigoso para a interferência política da Organização das Nações Unidas (ONU).

Rússia, China e a África do Sul disseram que a resolução iria prejudicar o diálogo entre o partido do governo e a oposição.

"Nós estamos muito felizes com o resultado dos eventos e gostaríamos de agradecer aqueles que ajudaram a vencer o racismo internacional disfarçado em ação multilateral na ONU", disse o ministro das Comunicações do Zimbábue, Sikhanyiso Ndlovu, à Reuters.

"Os princípios de não-interferência em assuntos de soberania de um Estado membro da ONU foram sustentados. O que a ONU tem a ver com as eleições de um de seus membros?", disse o ministro.

O líder da oposição no Zimbábue Morgan Tsvangirai venceu Mugabe no primeiro turno das eleições presidenciais, em 29 de março, mas não conseguiu votos suficientes para evitar o segundo turno.

Tsvangirai se retirou da disputa do segundo turno em 27 de junho, citando ataques da milícia pró-Mugabe a seus partidários. Seu partido, o MDC, e países ocidentais chamaram a vitória de Mugabe de "trapaça".

NEGOCIAÇÕES

O MDC está em negociações preliminares com o partido do governo e com mediadores sul-africanos, mas se recusa a negociar um acordo para a divisão do poder até que o governo acabe com a campanha de violência na qual, diz o MDC, 113 de seus partidários foram mortos.

"O sofrimento do povo do Zimbábue está piorando a cada dia e uma negociação pacífica da transição é urgentemente necessária", disse um comunicado do MDC em resposta ao fracasso da resolução.

O ministro das Relações Exteriores britânico, David Miliband, disse no sábado: "Vai parecer incompreensível para o povo do Zimbábue que a Rússia... bloqueie o caminho de ação do Conselho de Segurança."

Apesar da derrota diplomática, Miliband insistiu que a Grã-Bretanha vai manter as pressões a Mugabe. Um comunicado do gabinete do primeiro-ministro Gordon Brown afirmou que o Reino Unido e outras nações européias iriam discutir medidas a serem tomadas.

O Grupo dos Oito, que inclui a Grã-Bretanha, os Estados Unidos assim como a Rússia, concordaram na terça-feira em impor sanções devido à violência durante as eleições no Zimbábue.

O embaixador norte-americano nas Nações Unidas, Zalmay Khalilzad, acusou a Rússia na sexta-feira de uma mudança em relação a sua posição durante o encontro do G8 e levantou dúvidas sobre sua credibilidade como parceiro no grupo. A Rússia negou mudança de posição política.

"Nós consideramos essa declaração inaceitável", disse o porta-voz do ministério das Relações Exteriores russo Andrei Nesterenko no website do ministério.

"A adoção de tal documento pelo Conselho de Segurança da ONU iria criar um precedente perigoso, abrindo caminho para a interferência do Conselho de Segurança em assuntos internos em conexão com certos eventos políticos incluindo eleições, o que é uma violação crassa da Carta da ONU", disse o ministério russo.

Reportagem adicional de Muchena Zigomo em Johanesburgo, Gleb Bryanski em Moscou, Chris Buckley em Pequim e John Sinnott em Londres

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