Zimbábue diz que fracasso das sanções é vitória contra racismo

sábado, 12 de julho de 2008 13:22 BRT
 

Por Nelson Banya

HARARE (Reuters) - O Zimbábue saudou no sábado o fracasso da resolução do Conselho de Segurança da ONU, apoiada pelos países ocidentais, de lhe impor sanções por causa das violentas eleições presidenciais, o que classificou de uma vitória contra o racismo e a intromissão em seus assuntos.

A Rússia e a China vetaram na sexta-feira a resolução, que imporia um embargo em armas para o país do sul da África, além de restrições financeiras e de viagem ao presidente Robert Mugabe e 13 autoridades do país.

A Grã-Bretanha afirmou que o veto russo era "incompreensível", enquanto a Rússia disse que sanções abririam um precedente perigoso para a interferência política da Organização das Nações Unidas (ONU).

Rússia, China e a África do Sul disseram que a resolução iria prejudicar o diálogo entre o partido do governo e a oposição.

"Nós estamos muito felizes com o resultado dos eventos e gostaríamos de agradecer aqueles que ajudaram a vencer o racismo internacional disfarçado em ação multilateral na ONU", disse o ministro das Comunicações do Zimbábue, Sikhanyiso Ndlovu, à Reuters.

"Os princípios de não-interferência em assuntos de soberania de um Estado membro da ONU foram sustentados. O que a ONU tem a ver com as eleições de um de seus membros?", disse o ministro.

O líder da oposição no Zimbábue Morgan Tsvangirai venceu Mugabe no primeiro turno das eleições presidenciais, em 29 de março, mas não conseguiu votos suficientes para evitar o segundo turno.

Tsvangirai se retirou da disputa do segundo turno em 27 de junho, citando ataques da milícia pró-Mugabe a seus partidários. Seu partido, o MDC, e países ocidentais chamaram a vitória de Mugabe de "trapaça".   Continuação...