Lula comanda diálogo com base e avisa que não aceita pressões

terça-feira, 2 de outubro de 2007 15:09 BRT
 

Por Natuza Nery

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a comandar a interlocução do governo com sua base aliada no Congresso e disse não querer "dramatizar" a derrota da semana passada, quando senadores do PMDB ajudaram a oposição a arquivar a medida provisória que criava a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo.

Na reunião do conselho político nesta terça-feira, formada por todos os líderes da coalizão, Lula deu um recado: não está disposto a alimentar fissuras em sua base, mas também não quer sofrer pressões. Segundo relato de deputados que participaram do encontro, ele comentou o "excelente desempenho" da Câmara ao aprovar a prorrogação da CPMF em primeiro turno e pediu esforço para concluir a votação.

O líder do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), negou diante do presidente que seu partido tenha votado contra a MP que criava a secretaria e outros cargos por insatisfações em relação ao lento processo de nomeação para postos no Executivo. Segundo ele, o boicote à matéria foi uma resposta à falta de diálogo com a base.

"Não existe demanda de nenhum senador sobre minha mesa", teria dito Lula, de acordo com o líder do PTB na Câmara, deputado Jovair Arantes (GO), e outros deputados presentes ao encontro.

Em mais um movimento para refazer pontes, o presidente Lula recebe nesta noite líderes da Câmara para um jantar no Palácio da Alvorada. Na quarta, pode repetir o evento, mas com o PMDB.

O líder do PR, deputado Luciano Castro (RR), chegou ao Palácio afirmando que reclamaria sobre o atraso nas indicações da legenda a postos no segundo e terceiro escalões do governo.

Na hora H, no entanto, preferiu calar-se.

"Ninguém falou, ninguém tratou, ninguém mencionou (o assunto cargos)", disse o líder do governo na Câmara, deputado José Múcio Monteiro (PTB-PE).   Continuação...