América Latina se mobiliza para conter crise regional

segunda-feira, 3 de março de 2008 16:15 BRT
 

Por Julio César Villaverde

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A América Latina se mobilizou na segunda-feira para evitar que a pior crise diplomática da região em décadas, provocada por uma incursão militar da Colômbia no Equador, transforme-se em um conflito de graves consequências.

Os efeitos da ação militar de sábado, na qual foi morto o número dois da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Raúl Reyes, se agravaram após as duras declarações do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Depois de acusar o presidente colombiano, Alvaro Uribe, de ser "um mentiroso, um mafioso e um paramilitar", Chávez determinou o envio de mais soldados para a fronteira com a Colômbia, mesma manobra adotada pelo presidente do Equador, Rafael Caldera.

Os dois países retiraram seus embaixadores de Bogotá.

"Potencialmente, essa é a crise mais grave que a América do Sul enfrenta desde a quase guerra entre a Argentina e o Chile em 1978 e a guerra das Malvinas", afirmou Eduardo Viola, professor de relações internacionais na Universidade de Brasília.

O último conflito bélico na América do Sul ocorreu em 1995, quando Equador e Peru protagonizaram choques fronteiriços por conta de uma velha questão limítrofe, e foi solucionado por gestões de um grupo de "países amigos", integrado por Argentina, Brasil, Chile e Estados Unidos.

Na segunda-feira, os países da região intensificaram as consultas iniciadas no fim de semana para conter a crise, incluindo contatos entre presidentes e chanceleres.

O Brasil, que possui um reconhecido papel de liderança sobre os vizinhos, usará "toda a força" de sua diplomacia e coordenará ações com o governo dos outros países a fim de limitar a crise, afirmou Marco Aurélio Garcia, assessor para assuntos internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.   Continuação...