Espanha diz que tenta mediar crise entre Colômbia e Equador

quarta-feira, 5 de março de 2008 11:51 BRT
 

Por Raquel Castillo

MADRI (Reuters) - A Espanha realiza esforços para ajudar a Colômbia e o Equador a superarem a crise provocada pelo bombardeio colombiano de um acampamento de guerrilheiros localizado em território equatoriano, afirmou na quarta-feira o ministro espanhol das Relações Exteriores, Miguel Ángel Moratinos.

A incursão aérea realizada no sábado provocou a morte de Raúl Reyes, segundo homem mais importante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), e de outros 22 rebeldes, além de ter feito eclodir um grave conflito diplomático envolvendo também a Venezuela.

"Conversei anteontem (segunda-feira) com o ministro (das Relações Exteriores) da Colômbia (Fernando Araújo) e ontem (terça-feira) com a ministra (das Relações Exteriores) do Equador (María Isabel Salvador)", afirmou Moratinos em declarações divulgadas pela Rádio Nacional da Espanha.

"Estamos comprometidos em realizar contatos cruzados a fim de que voltem à normalidade as relações entre dois países muito próximos e irmãos da Espanha, como é o caso da Colômbia e do Equador."

O Equador rompeu relações diplomáticas com a Colômbia depois do ataque, que descreveu como um "massacre" responsável por violar a soberania dele. Os governos equatoriano e venezuelano expulsaram o embaixador colombiano de suas capitais.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, deu apoio ao presidente do Equador, Rafael Correa, um de seus maiores aliados na América Latina.

A tensão atingiu seu ponto máximo quando o presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, disse que pretendia denunciar Chávez no Tribunal Penal Internacional sob a acusação de que daria apoio às Farc.

Uribe fez essa ameaça depois de afirmar que documentos encontrados em computadores de Reyes apontariam a existência de um vínculo do Equador e da Venezuela com as Farc.

Um dos documentos faria alusão a um suposto envio de 300 milhões de dólares à guerrilha pelo governo Chávez.

As Farc, maior grupo guerrilheiro da Colômbia, avisaram que a morte de Reyes ameaça os esforços para se firmar um acordo por meio do qual seriam libertadas algumas das pessoas mantidas reféns pelo grupo.